Por culpa minha (ou de Bacon, Magritte, Tatlin…), nossa estadia em Yokohama se prolongou por algumas muitas horas mais que o planejado… Só chegamos em Iwata umas 6 e meia da noite e nosso ônibus só sairia as 7h10 (aqui tudo é extremamente pontual!). Entramos na livraria do lado do eki (estação de trem) na esperança de encontrar algo em Inglês mas, como previsto, nada… Ficamos então olhando as revistas de moda, tipo Capricho, até o ônibus chegar.
Gosto da moda japonesa porque aqui parece não haver regras. Misturam-se texturas, cores, estampas das formas mais malucas possíveis! Muitas vezes fica estranho, mas acho bacana essa liberdade… Preciso de um pouco dessa maluquice japonesa no meu guarda-roupa! =P
Chegando em casa, recado do meu pai no computador (aqui, a gente prega os bilhetes no monitor porque ai é certeza de que alguém irá ler): o sr. Carlos tinha ligado, agendado uma entrevista pra minha irmã no dia seguinte e meu primeiro dia na fábrica de celulares… Só que estávamos esperando o telefonema do outro tantosha, seu Paulo, que tinha prometido emprego pra nós duas numa mesma fábrica e em um trabalho um pouco mais agitado que kensa de celular!
Acabamos desmarcando com o Sr. Carlos e marcando uma entrevista na fábrica de auto-peças. Só que o seu Paulo é todo atrapalhado, marcou as 10, ligou falando que ia atrasar, remarcou… e no fim, acabamos indo pra lá só 1 e meia da tarde! Na fábrica, fomos entrevistadas pelo Sr. Higushi, um velho que disseram ser bem rigoroso e ranzinza, mas que no fim estava até dando umas risadinhas e peguntando coisas pra gente. Só que ele ainda iria ligar no dia que desse na telha dele pra marcar um teste com a gente e só depois que fossemos aprovadas começariamos a trabalhar lá! ¬¬
Como o Paulo tinha garantido que começaríamos na quarta, acabou nos levando para outra fábrica para fazer entrevista. Bem menor, um galpãozão bem novo que mexe com pintura de peças plásticas. O sachô (dono) é um moço bem novinho! Veio com um uniforme todo sujo e um sorriso enorme na cara, conversando com os funcionários a respeito dos furiôs (defeitos) e tal. Fez uma entrevista bem rápida com a gente, de pé mesmo, no meio da fábrica! Só perguntou se não nos importávamos com a sujeira de lá e já nos contratou! Totalmente o oposto do outro, que nos fez subir sem sapatos até o escritório e esperar uns 15 minutos até que ele aparecesse pra nos dar uma resposta sabe-se lá quando!
Sr. Paulo passou hoje as 7 da manhã para nos levar para a fábrica. Passamos na casa dele para pegar a prima, que trabalha numa fábrica próxima, e para que ele convencesse a filhinha de 2 anos a ir para a escolhinha. No meio do caminho, ainda trocamos de mukai (carona) e conhecemos o Ronaldo, que estava dirigindo e trabalha na pintura, e o Afonso (acho…), que nos mostrou a sala de ponto, nos arranjou um armário, bem simpático!
Todos lá são bem simpáticos (por enquanto, pelo menos). O que parece ser o mais legal e divertido é o Santos, o carinha com quem vou trabalhar. Ele está há 5 anos só nessa fábrica e há muitos anos no Japão (acabou não me falando quantos…). Aprendeu Nihongo sozinho em 1 ano, com a ajuda de um dicionário. E agora fala super bem, é meio que o líder lá, o braço direito do sachô. Me ensinou o trabalho direitinho e foi super gentil, disse pra eu perguntar o quanto fosse necessário e que aos poucos ia pegando tudo! Bem diferente de alguns líderes que já conheci por aqui…
O clima da fábrica é bem gostoso! As pessoas cuidam cada uma do seu próprio trabalho, ninguém fica se metendo no que os outros estão fazendo. E o serviço vai variando, de acordo com o necessário… Chegamos fazendo kensa de umas peças do Nissan X-Trail, depois voltaram uns lotes e ficamos abrindo caixas, desembalando, embalando, fechando caixa! Bem movimentado, melhor do que ficar o dia todo num mesmo serviço!
Além disso, o clima é bem familiar! A esposa (ou noiva, ou namorada… não entendi ainda!) do sachô ficou o tempo todo lá, ajudando no trabalho! E as duas menininhas que acho que são deles, também! correndo de um lado pro outro! O Santos e o Ronaldo, que já estão há mais tempo na fábrica e falam bem Nihongo, brincam com as crianças como se fossem da família! Isso achei muito bacana! E tem brinquedos espalhados pelo refeitório e pelo galpão todo!
No kyukei (um dos 2 intervalos de 10 minutos), fiquei conversando com o Santos e com a esposa do sachô! Acho que ela gostou da gente, falou que trabalhamos rápido e que ultimamente eles estavam tendo azar com funcionário, que era difícil achar gente que trabalha bem assim! =) Parece que a maioria é lerda e faz muito corpo mole!
As 5h15, o Paulo apareceu para buscar a gente! Hoje foi teiji (horário normal), mas se dependesse do Santos acho que ainda estaríamos lá fazendo zangyô (hora extra) . Pelo visto, estão precisando bastante de gente! E o legal é que tem bastante japonês e não tem muito isso de hierarquia de trabalho, ou seja, talvez seja uma boa oportunidade de aprender um pouco de Nihongo! Vamos ver né!

Olaaa!!! Faz tempo que não apareço por aqui não é?? Rsrsrs… pois bem, esse seu post já ta velhinho, mas vou deixar o comentário pra você saber que eu li viu!! E também sei que tá tudo bem por ai!!! Ainda bem né!! Rsrsrs… Mil beijões para você!!!
Comentário por J.M. — Janeiro 27, 2008 @ 7:53 am