Folhas de rosa . Florbela Espanca
Todas as prendas que me deste, um dia,
Guardei-as, meu encanto, quase a medo,
E quando a noite espreita o pôr-do-sol,
Eu vou falar com elas em segredo …
E falo-lhes d’amores e de ilusões,
Choro e rio com elas, mansamente…
Pouco a pouco o perfume do outrora
Flutua em volta delas, docemente …
Pelo copinho de cristal e prata
Bebo uma saudade estranha e vaga,
Uma saudade imensa e infinita
Que, triste, me deslumbra e m’embriaga
O espelho de prata cinzelada,
A doce oferta que eu amava tanto,
Que reflectia outrora tantos risos,
E agora reflecte apenas pranto,
E o colar de pedras preciosas,
De lágrimas e estrelas constelado,
Resumem em seus brilhos o que tenho
De vago e de feliz no meu passado…
Mas de todas as prendas, a mais rara,
Aquela que mais fala à fantasia,
São as folhas daquela rosa branca
Que a meus pés desfolhaste, aquele dia…

Muy sensible la poesía de Florbela Espanca, donde las rosas toman el centro de su poema, como la vida misma. Al lado de páginas amarilas, siempre quedan las hojas de unas rosas que ayer significaron sólo el amor y hoy lucen marchitas y amarillas. Congratulaciones por el blog y gracias por compartir la poesía de Espanca.
Comentário por bigsplash — Março 11, 2008 @ 11:47 am
Linda poesia, beijões pra você!!!
Comentário por J.M. — Março 16, 2008 @ 11:19 pm