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Da beleza do meu silêncio Setembro 4, 2008

Posted by melodyfairy in 101 in 1001, São Paulo, amizade, amor, andanças, divagações, faculdade, feelings, fotografando, mimos, música, viajando, vida urbana, voluntariado.
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Julho passou, Agosto passou e nada de posts… Setembro começando e resolvi criar vergonha na cara e dar uma passadinha pra tirar as teias de aranha desse espaço e pra justificar toda essa ausência… O silêncio desses últimos tempos nao significa que a vida aqui no Brasil esteja menos intensa que no Japão. Muito pelo contrário! Tenho vivido tanta coisa desde que voltei… E tantas coisas lindas, tantas experiências novas! Queria ter contato tudo conforme foi acontecendo, mas ora por falta de tempo, ora por preguiça mesmo, infelizmente não o fiz…

Teve Caravana da Abeuni pra Atibaia no finzinho de Julho e eu finalmente participei! 10 dias alojada numa escola, prestando atendimento à população local e tentando, de alguma forma, melhorar a vida na região. E aprendendo, aprendendo muito! Conhecer e conviver com pessoas novas, pessoas boas, que também estavam lá procurando ajudar; receber um sorriso, um carinho e até uma garrava de refrigerante (!!!) daquela gente simples; ouvir as histórias de vida, tão diferentes, tão díspares… Realmente, tudo isso não tem preço. Era um mundinho perfeito, uma bolha de esperança… Sair de lá e voltar ao mundo real foi meio que um choque mas deixou o gostinho de saber que é possível construir muito com trabalho de formiguinha!

Teve show do Muse! E foi simplesmente perfeito! Três anos de espera que valeram muito a pena! Principalmente com o piano de Butterflies and Hurricanes, que nunca pensei poder ouvir assim, ao vivo!! E toda aquela energia, todo mundo cantando, luz, muita luz! Perfeito!!!

Teve viagem para o sítio com o pessoal da faculdade! E embora tenha ficado só um pouquinho, já valeu bastante a pena! Fogueira, marshmallows e conversas especiais com pessoas queridas!

Teve chá de bebê de uma amiga querida, da época dos Backstreet Boys… Primeiro chá de bebê, primeira amiga grávida… Assustador!

Teve volta à facul e reencontro com o pessoal de lá… Tão triste estar teoricamente no último semestre, muito dificil encontrar os amigos com quem antes passava o dia inteiro, por vezes (muitas vezes) até as madrugadas (projetando! nada de baladas!). Agora é só de vez em quando, rapidinho pelos corredores ou numa carona para o metrô! Mas é bom, muito bom, mesmo assim!

E tem ele, que vem me ensinando tanto! Me fazendo viver e sentir tanta coisa nova e mostrando o quanto é bom amar alguém assim, o quanto é bonito… E enchendo meus dias de felicidade, muita… =)

***

Pelo celular: “R., olha pro céu! Tem um arco-íris em volta do sol!”

=)

***

Birds flying high you know how I feel

Sun in the sky you know how I feel

Reeds drifting on by you know how I feel

It’s a new dawn it’s a new day it’s a new life for me

And I’m feeling good


Fish in the sea you know how I feel

River running free you know how I feel

Blossom in the trees you know how I feel

It’s a new dawn it’s a new day it’s a new life for me

And I’m feeling good


Dragonflies all out in the sun

You know what I mean, don’t you know

Butterflies are all having fun

You know what I mean

Sleep in peace

When the day is done

And this old world is new world and a bold world for me


Stars when you shine you know how I feel

Scent of the pine you know how I feel

Yeah freedom is my life

And you know how I feel

It’s a new dawn it’s a new day it’s a new life for me

And I’m feeling good


Muse . Feeling good

Kanpai! Maio 23, 2008

Posted by melodyfairy in Japão, amizade, aniversário, divagações, feelings, trabalhando, vida confusa.
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Chorando copiosamente escrevo esse post… Não achei que me sentiria assim, não achei que os laços se fariam tão fortes… Só descobri na hora de ir embora que hoje* foi meu último dia (amanhã vai ser yasumi – dia de folga)… Tirei tudo do armário, deixando um vazio incômodo. Bati o cartão de ponto pela última vez e pela última vez olhei para o refeitório, para o escritório, o depósito… as bancadas, os daishas cheios de peças, a bagunça… Me despedi de cada um com um choro contido e recebi sorrisos sinceros em rostos que me desejavam boa sorte e diziam que ainda nos encontraríamos um dia, mas que sei que nunca mais verei… O shachô e a esposa me disseram para voltar a trabalhar pra eles caso retornasse ao Japão; o irmão do shachô correu atrás do carro para apertar minha mão e me dar um tchau… E eu que pensei que os laços não se fariam tão fortes…

Ontem* foi aniversário do shachô e teve churrasco brasileiro na fábrica, depois do expediente. Picanha, linguiça, vinagrete, pão de forma, caipirinha… Parabéns pra você em Português mesmo, pagode, forró e muitos ‘kanpais’ (maneira como os japoneses brindam)… 9 da noite e todo mundo animado, alguns até demais! Inclusive o shachô, que resolveu fazer um discurso infinito pra demonstrar sua felicidade e, depois, ficou nos contando de suas travessuras de criança com fogos de artifícios! E foi muito bom sentir essa proximidade, esse clima de intimidade entre todos. Ali não estavam mais chefes e colegas de trabalhos, mas sim amigos, pessoas que se gostam.

9 e meia da noite e após alguns olhares raivosos do vizinho, o shachô ligou para um amigo, dono de um sunaku (snack bar) e fechou o bar pra gente, tudo por conta dele! E aí a noite ficou bem japonesa: karaokê e biru (= beer = cerveja). Mas, claro, com toda a alegria brasileira: todo mundo dançando, fazendo piada, zuando! Inclusive os japas! Muito divertido!

E no meio da noite, o shachô dedicou uma música pra mim! *.* Não entendi nada do que ele falou e a princípio achei que estava pedindo pra eu ir lá cantar com ele… Mas entre as poucas palavras em Japonês do meu vocabulário, entendi um “mata doyobi” e um “arigato ne” e ai o coração apertou… Mais ainda quando a esposa dele veio falar comigo, agradecendo também, e começou a chorar… E, sem saber o que fazer, dei um meio abraço nela (japoneses não gostam muito de contato… =P).

Mais de uma da manhã e ninguém falando em ir embora! Isso em plena quinta-feira!!! Até brinquei com o irmão do shachô: “Ashita, yasumi ne?” (Amanhã é folga né?), ele deu uma risadinha e desconversou. Acabei indo embora quase 2h com as meninas do bafu (buffer, aquelas politrizes), as últimas a entrarem na fábrica, mas as mais divertidas de todo o pessoal. Estão sempre fazendo piada, cutucando, rindo! Sempre espalhando alegria, alegria que vai me fazer muita falta também…

E hoje foi um dia de trabalho difícil: todo mundo esgotado, alguns de ressaca, hora não passando e muita coisa pra fazer! Passei o dia inteiro ansiosa por ir embora, desejando mais que tudo deitar no meu futon duro e dormir pelo resto da eternidade (exagerada, sempre =P). Mas quando soube que justo esse, o mais cansativo de todos os dias que trabalhei lá, era meu último, a vontade era de ficar mais um pouquinho, de passar mais alguns instantes carimbando e embalando as peças, de ter mais um kyukei (intervalo) em companhia daquelas pessoas, ouvindo as brincadeirinhas bobas, as reclamações sobre o trabalho, as fofoquinhas…

Queria guardar tudo isso comigo, cada instante que vivi lá, cada sorriso, cada conversa… a maneira como a japonesada pronuncia meu nome, as tentantivas (frustradas na maioria das vezes) de me comunicar… Porque lá, de alguma forma, me senti em casa, me senti querida… E é triste saber que não vou ter nada disso mais, que vai ser quase impossível encontrar novamente com algum deles… Talvez algum dia, who knows? Mas ficam todas as lembranças e agradeço muito a todos eles pelo que vivi aqui e pelo que estou sentindo agora… Porque se as lágrimas escorrem tanto é que tudo foi bom e valeu a pena e vou leva-los sempre no meu coração, onde quer que eu esteja…

* Era para eu ter terminado e publicado o post ontem, mas por uma impossibilidade técnica (leia-se, cansaço + olhos inchados de tanto chorar) não consegui. Portanto, ontem é anteontem e hoje é ontem! E amanhã é amanhã mesmo, o futuro me espera, chega de chorar! =)

The Counting Crows . Angels of the Silences
Well I guess you left me with some feathers in my hand
Did it make it any easier to leave me where I stand?
I guess there might not be too many who would stand beside you now
Where’d you come from? Where am I going?
Why’d you leave me ’till I’m only good for…

Waiting for you
All my sins…
I said that I would pay for them if I could come back to you
All my innocence is wasted on the dead and dreaming

Every night these silhouettes appear above my head
Little angels of the silences that climb into my bed and whisper
Every time I fall asleep Every time I dream
“Did you come? Would you lie?
Why’d you leave us ’till we’re only good for…

Waiting for you
All my sins…
I said that I would pay for them if I could come back to you
All my innocence is wasted on the dead and dreaming

I dream of Michelangelo when I’m lying in my bed
Little angels hang above my head and read me like an open book
Suck my blood break my nerve offer me their arms
Well, I will not be an enemy of anything
I’ll only stand here

Waiting for you
All my sins…
I said that I would pay for them if I could come back to you
All my innocence is wasted on the dead and dreaming

Do que vou sentir saudades Maio 18, 2008

Posted by melodyfairy in 101 in 1001, Japão, amizade, andanças, divagações, feelings, liberdade, literatura, música, vida confusa.
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Levantei ontem um pouco depois das 6h30, ainda dormindo… Dia meio nublado de temperatura agradável. O mukai passou bem cedo, umas 7h15. Muito cansado pela semana desgastante, mas sempre simpático, conversando sobre política japonesa, a crise de alimentos, a previsão do tempo… Os assuntos de sempre no caminho de sempre: passando pelos arroizais, cheios de água nessas últimas semanas, pelas casinhas de telhados coloridos que parecem sempre tão impessoais, pelos combinis e supermercados, todos tão iguais… E depois da curva, o rio com um parque às suas margens, os velhinhos já montando o material de gateball (ou seja lá que jogo eles sempre jogam), as nuvens e as montanhas ao fundo, tão plásticas, parecendo uma pintura… E depois da ponte, o mar, revoltoso, ondas quebrando nos blocos de concreto, mesmo azul acinzentado do céu…

Quando cheguei, a fábrica ainda estava fechada… Só o odisan da pepa (o mesmo dos mochis desse post) já estava lá, como sempre, no seu carrinho compacto. Sentei nos bancos improvisados com latas de tinta e tábuas de madeira, totalmente silenciosos naquela hora da manhã… Os raios de sol que em mim chegavam já anunciavam um dia bom. O odisan dirigiu o carro até perto de onde eu estava, desceu e sentou do meu lado. Me mostrou o joelho, machucado, não entendi porquê… Tinha saído mais cedo no dia anterior e ido no hospital por causa disso. Perguntei se ele estava bem e ele abriu aquele sorriso gostoso, assentiu com a cabeça e voltou para o carro.

Uns 10 minutos depois, o M. chegou e abriu a fábrica. Bati o cartão de ponto, 7h51, coloquei a marmita na geladeira… Aos poucos as pessoas foram chegando, a fábrica foi ganhando vida. O trabalho começou, calmo como todo o sábado. Só que dessa vez, o M. levou o filhinho, tímido, se escondendo toda vez que eu tentava me aproximar com o olhar. Ficou lá um tempinho e depois foi pra casa da esposa do shachô que tem duas meninas… Mais tarde vieram as 3 crianças e ficaram brincando do lado de fora!

Meio-dia, almocei rapidinho, peguei o Llosa e a garrafinha de água no armário, liguei o ipod e fui para praia… Sentei na mesma muretinha de sempre, vendo o mar, os jipes andando pela areia, as pessoas pescando… Abri o livro e mergulhei novamente no mundo cão do Colégio Militar Leôncio Prado, nos conflitos entre os estudantes, nas brincadeiras cruéis, nas diferentes histórias de vida, nos amores adolescentes… Meu momento de paz e viagem durante o dia…

Voltei para fábrica a tempo de umas conversinhas rápidas, de ver alguns sorrisos em rostos cansados, vidas cansadas da busca por dinheiro… Mais um pouco de trabalho, depois as crianças correndo de um lado para o outro, tomando sucos das maquininhas, o pessoal rindo, até o shachô de bom humor, o calor acolhedor do sol, as casinhas, uma azul e outra rosa, do outro lado da rua… Vontade enorme de guardar isso pra sempre, essa sensação de estar “em casa”, de fazer parte daquilo tudo…

O expediente acabou cedo, 5h20. Fazia tempo que não saia esse horário! Não ligaram para o meu mukai e acabei pegando carona com o japonês simpático que sempre tenta conversar, fazendo mímica, dizendo algumas palavras em Inglês, outras em Português! Sempre que pedem pra ele me dar carona, ele sai correndo na minha frente dizendo “Katazuke!!”, porque o carro dele está sempre bagunçado.. Joga tudo para trás e abre a porta, liga o dvd e puxa logo algum assunto… Acho que ele falou que ia estar trânsito porque era dia de jogo do Júbilo. Falei pra ele que estava indo embora e ele perguntou até que dia eu trabalhava, “samishi ne”… Eu disse que não estava valendo a pena em termos de dinheiro e ele concordou. Depois, pra descontrair, me mostrou o restaurante que ia levar a esposa no dia, tentou me dizer que tipo de comida serviam mas não entendi nada!

Cheguei em casa e sai com meu pai para procurar uma bolsa para a câmera que comprei (mais um item dos 101 riscado, só falta aprender a usar!). Pegamos a bicicleta, música no ouvido, voz desafinada assustando os japoneses como sempre! Vento bom embaraçando os cabelos, sensação de liberdade que adoro…

E assim se foi mais um dia… Mais um dos poucos que restam…

Estou ansiosíssima por voltar mas uma parte do meu coração sempre fica presa aqui… Achei que dessa vez seria diferente, que sem amigos por aqui para aproveitar acabaria enjoando fácil, mas ontem percebi que sempre são criados laços e que é sempre doloroso desfazê-los… Mas é a vida, né, algumas portas precisam ser fechadas para que outras se abram. =)

AaaaaaAAAaa! Março 5, 2008

Posted by melodyfairy in Japão, amizade, amor, divagações, feelings, vida confusa.
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“I got married when I was thirty. I met my wife one summer holiday while I was travelling alone. She was five years younger than me. I was walking along a road in the country, when it suddenly started raining. I ducked into the nearest place I could find to get out of the storm, and she and a girlfriend were already there. All three of us were soaked to the skin and we started talking while we waited for the rain to stop. If it hadn’t rained then, if I had taken an umbrella (which was entirely possible, since I had seriously debated doing so before I left the hotel), I would never had met her. And if I hadn’t met her, I’d still be slaving away at the educational publisher’s, still leaning against the wall in my flat at night, alone, drinking and babbling to myself. It makes me realize how limited our possibilities ever are.”

in Murakami . South of the border, west of the sun

Sim, AINDA estou lendo o Murakami que comecei há quase um mês atrás (shame on me!). Mas não me tem sobrado tempo nem pra respirar direito, de tanto que tenho trabalhado! Só hoje me liberaram às 6 (o que pode ser um péssimo sinal…) e, apesar de ter perdido a chave de casa e ter tido que pular a janela o_O, cá estou aproveitando (ou desperdiçando?) o que resta do meu tempo livre para escrever minhas baboseiras nesse blog e deixar a leitura de lado mais uma vez. Só tenho lido uns 15 minutinhos por dia, no tempo que sobra do almoço, isso quando não fico papeando…

Foi numa dessas conversinhas dos momentos de folga que o M. me contou sobre a vida dele… Aos 14 anos, por andar em má companhia, acabou apanhando do pai. No meio da briga, levantou a mão ameaçando um soco mas pensou duas vezes e desistiu. O pai, daqueles japoneses bem orgulhosos e cabeça-dura, disse que ele não era homem e mandou que juntasse suas coisas e fosse embora (claro, da boca pra fora, achando que o filho não teria coragem suficiente). Ele, mais cabeça dura ainda, partiu para a Colômbia naquela madrugada com uns “amigos traficantes”. Ficou mais de 2 anos por lá, fritando hamburgueres e fazendo uma espécie de curso profissionalizante, sem dar qualquer sinal de vida à família. Mas quando ligou para uns amigos e descobriu que o pai estava doente e cheio de remorsos, acabou voltando para casa (e apanhando do irmão por ter sumido daquele jeito). Uns meses depois, decidiu ir para o Japão. O pai o desincentivou dizendo que aqui ele seria um analfabeto, não conseguiria nada da vida. Faz mais de 15 anos que ele está aqui. Trabalhou, estudou, fala e lê Nihongo muito bem, abriu uma funilaria aqui e uma empresa de projetos de estruturas metálicas no Brasil e está trabalhando como pintor lá na fábrica para ajudar o shachô que “ensinou tudo o que ele sabe sobre pintura de mão beijada”.

Essa foi a história de vida mais absurda ouvi por aqui (sem contar as fofoquinhas e suposições, que incluem marido pego na cama com outro homem e chefe ex-sunaku girl – aquelas acompanhantes de casas noturnas que não são exatamente prostitutas). E eu adoro isso de conhecer outras vidas, outros caminhos que, por acaso, destino ou escolha, nunca poderia viver.

Nesse ponto, sou absurdamente curiosa! Queria poder saber como outras pessoas vivem, onde moram, o que fazem, o que pensam, o que sentem… Passo de bicicleta na frente das casas e sempre tento dar uma espiadinha pela janela ou imaginar pelas roupas do varal ou pelos carros e bicicletas na garagem quantas pessoas vivem lá, se têm filhos, se são felizes… Ou olho para as pessoas na rua, para os rostos, os jeitos como estão vestidas e tento ouvir pedaços de conversas que me mostrem algum sinal de pessoalidade.

Por tudo isso, uma das coisas que mais tem me desesperado aqui é não saber falar Nihongo! Sábado retrasado, o odisan simpático que trabalha na fábrica me falou um monte de coisa que não entendi, abriu uma caixinha e me deu um daifuku (um mochi recheado com uma espécie de chantilly). Ele sempre faz isso, de falar, falar, falar, mesmo sabendo que eu não entendo nada, e depois abrir um sorriso e dizer “wakaranai, ne?” (não entendeu, né?). Dessa vez, a única coisa que entendi foi a palavra “musume” (filha). Conversando com as meninas na hora do kyukei, perguntei o que a filha dele tinha a ver com o mochi. Uma delas disse que foi a filha dele quem encomendou os daifukus numa loja e tal, e começou a me contar a história dele.

Na época do colégio, ele tinha duas “amigas” que gostavam dele. Acabou casando com uma, com quem teve filhos e netos. Mas depois de mais de 40 anos junto dela, resolveu se separar para ficar com a outra amiga. Hoje, o filho dele o renega e ele não tem nem contato com o neto… Essa filha que ele citou é, na verdade, filha da segunda esposa dele e o considera mesmo como pai. E ele diz que agora, apesar de tudo, ele é feliz.

E esse post está uma bagunça mesmo, mudando de foco a cada parágrafo, indo pra Colômbia (aliás, que crise na América do Sul o_O), voltando pro Brasil, vindo pro Japão… E tudo só para eu desabafar que preciso urgentemente aprender Nihongo!!! E não pensem que não aprendi nada até agora por falta de estudo… Na verdade, o meu problema é o imediatismo, de querer tudo na hora, querer viver tudo e aprender tudo! Fico o dia todo tentando memorizar as palavras que me falam para tentar procurar no dicionário depois… Mas são tantas, tantas, que no fim todas desaparecem na minha mente ou se embaralham todas…… Ai ai, shoganai ne! =P

Capítulo 3 – Visitando a civilização Janeiro 8, 2008

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A convite da T…, amiga da minha irmã, decidimos ir para Tokyo – a província – para passar uns dias… Como já tinha dito, ela está aqui há 3 anos. Quando chegou não falava absolutamente nada de Nihongo e sofreu bastante na primeira escola. Concluiu a 9ª série, o que corresponderia ao ensino fundamental do Brasil e, diferente de muitos dos japoneses daqui, decidiu continuar estudando. Aqui o colégial é opcional e bem caro, mas ela pretende ainda cursar uma faculdade no Canadá. Por isso a mãe trabalha umas 12 horas por dia numa fábrica a 1 hora e meia do apato deles, dispensou um dia de folga e planeja continuar nesse ritmo por mais 7 anos e meio. Ela também trabalha pra ajudar nas próprias despesas, numa padaria próximo ao colégio, da 1 da tarde até umas 8 da noite.

Acordamos umas 9 da manhã e saímos às 10. Pegamos o ônibus aqui perto de casa, onde nos despedimos do meu pai! Reclamei tanto que ele nos deixou de lado uns dias e no fim a gente também o deixou… Mas era uma oportunidade única pra mim de revisitar e pra minha irmã de conhecer Tokyo.

Pegamos um trem pra Kakegawa, onde fizemos norikai (baldeação) pro shinkansen (trem bala). Chique né! Mas no fundo, no fundo, não tem nada de mais! Por dentro parece um avião, só que mais espaçoso. As poltronas até viram para as pessoas ficarem de frente umas para as outras se quiserem, muito legal! Mas a velocidade mesmo, só os ouvidos sentem, tamanha a pressão! É como descer a serra!

Em Shin-Yokohama, nos despedimos do meu irmão e da minha cunhada e seguimos para Hamura, uma cidadezinha do interior de Tokyo. Interior que nem se compara à pequenez de Iwata! Prédios grandes, depatos grandes, outro nível!

Encontramos a mãe da T… por acaso, saindo do depato. Ela é toda fofa, bem pequena (e olha que se eu considero pequena é porque é pequena mesmo! =P), descendente de alemães, olhos azuis e toda simpática, sempre sorrindo! É do tipo de pessoa que é sempre agradável de estar por perto! Ajudamos a levar parte das compras, incluindo um lustre pro apato delas…

O apato fica num conjunto enorme, com umas pracinhas bem agradáveis entre os prédios. Mas externamente pareciam bem velhos e mal cuidados. A mãe dela falava toda hora pra não repararmos nos prédios, que estavam reformando e iam ficar lindos! Mas que por enquanto ainda não chegou na parte deles.

Subimos 4 andares de escadas, bem velhas e sujas e chegamos num patamar com duas portas de ferro, uma oposta a outra. Não esperava encontrar grande coisa, apato de brasileiro aqui não costuma ter nada de mais. Mas ao entrar… o apato era lindo! Nada de extraordinário, coisas bem simples mesmo, mas com aquele ar aconchegante de casa que nem minha casa no Brasil tem! O corredor da porta leva aos dois quartos, da T… e dos pais, de um lado, e à cozinha do outro. A cozinha é dessas japonesas básicas, fogãozinho de 2 bocas e forninho (japoneses não cozinham), pia pequena, espaço mínimo. Mas entre a cozinha e um terceiro quarto que foi transformado em sala, uma mesa de jantar de madeira, daquelas que parecem de fazenda ou de casas de vovós! Um carpete na sala, escrivaninha cheia de livros em Nihongo e um pequeno butsudan (aqueles oratórios budistas) todo modernoso, lilás! Na lateral da cozinha, uma porta leva à área de serviço, ao banho e ao banheiro, com tapete xadrez preto e branco… E o sol da tarde batendo em tudo deixava um ar de felicidade!

A mãe da T… comprou chinelinhos pra gente não ter que andar descalças pela casa! E nos serviu um café da tarde muito bom, praticamente colocou a dispensa inteira em cima da mesa! Não comemos nem 1/10 do que ela colocou lá!

Depois pegamos as bicicletas e fomos para a estação para pegar um trem para Tachikawa, uma cidade maior lá perto, só para passar o tempo! Um depato gigante, gigante mesmo, uns 9 andares, com uma livraria imeeensa dentro! Vi uns Kerouac, que estou doida pra ler e, pelo visto, acabam de ser traduzidos pro Japonês! É nessas horas que lamento absurdamente não ter aprendido Nihongo quando criança!!! Ai ai… hoje mesmo, vi dois Akutagawa no hyakuen!!! Ou seja, menos de dois reais!!! Bom, sorte das meninas – minha irmã e a T… – que não encontrei a sessão em Inglês da livraria! Senão não saia de lá nunca mais!

Fomos ainda na parte de eletrônicos e ficamos babando em tudo! Ai ai, cada câmera linda!!! De lá falei com um amigo meu que está no Japão já há um ano e combinamos de nos encontrar no dia seguinte, pela manhã, em Tokyo! E compramos uns mochis recheados na estação que comemos bem mais tarde. Simplesmente divinos!!! O meu era de chocolate com banana, o melhor mochi que já comi na vida! Estava tão bom que esqueci completamente de fotografar!

Voltamos para Hamura para encontrar a mãe, a irmã e o cunhado da T… e irmos todos jantar num restaurante peruano. Como eles estavam um pouco atrasados, entramos num game para tirar aquelas fotinhos japonesas (teve uns tempos no Brasil, mas não deu muito certo) . Tiramos as fotinhos e depois ficamos enfeitando, colocando coraçõezinhos, estrelinhas, orelhinhas de coelho, coroas de princesa… Muito divertido!!!

Encontramos com eles e fomos procurar o restaurante peruano novo… Andamos, andamos, perguntamos para o guardinha (na verdade a T… perguntou), andamos mais e desistimos! O cunhado da T…, carinhosamente apelidado de cu, foi novamente no guardinha perguntar do tal restaurante, mesmo não falando nada de Nihongo (e ele não é descendente), tamanha era a vontade dele de comer lá! Procurou sozinho por um tempo enquanto ficamos na estação esperando e nada! Ai a fome já era tanta que todo mundo concordou em ir jantar no restaurante velho mesmo!

O restaurante era uma portinha de madeira que eu nunca adivinharia ser um restaurante, ainda mais peruano! Acabei pedindo um seco de carne, que é bastante parecido com a comida brasileira, uma espécie de cozido de carne de vaca com batata e arroz. E a irmã da T… pediu um jarro chicha, um suco de milho roxo que me lembraram aqueles sucos de Chaves: parecem de uva e tem gosto de abacaxi, banana ou não lembro o que mais falaram! Diferente!

Mas o que me impressionou foi a irmã da T…. Ela é tão pequenininha quanto a mãe e bem magrinha. Só que chegando lá, fez um pedido gigantesco e comeu quase tudo! E depois chegou no apato, comeu pêssego e só falou de chantilli, sorvete e outras gulodices! Nessas horas que vejo como o mundo é injusto! hahahha!

Passamos no apato da irmã e do cu antes de irmos para o da T… para pegar uns colchonetes. O apato deles fica logo em frente, no mesmo conjunto, e também é bem bonitinho, com um quarto a menos, mas uma bateria elétrica enorme na sala!

Voltamos para o apato da T… e ficamos todos conversando até bem tarde! O casal foi embora, a mãe da T… foi dormir pois trabalharia na manhã seguinte e eu, velha, acabei não aguentando o ritmo das meninas e acabei dormindo também!

Ticket do shinkansen
Estação de Hamura
Conjunto de prédios do apato da T…
Café na casa da T… Muito diferente isso, o café vem numa espécie de sachê individual que encaixa na xícara!
Tachikawa
Tachikawa again.. já tem um arzinho de Tokyo! =P
Prato do restaurante peruano… Seco combinado! Esse era da minha irmã, esqueci de tirar foto ai também! No fundo, um restinho da tal chicha!

PS.: Começo a trabalhar amanhã e ainda estou aqui tentando registrar meus causos… ai ai! Acho que agora vai ficar bem mais difícil postar…. Entro as 8 e não tenho hora pra sair, parece que está tendo bastante zangyô (hora extra) por lá, umas 3 ou 4 por dia! =S