in a blanket of clouds…

Agosto 31, 2009

Um desenho

E sem querer, fuçando os “starred” do meu gmail à procura de uns links, encontrei uma imagem da tal matéria do semestre passado… Tinha que fazer um desenho por dia em um caderno. Nesse dia, estava com uma Domus na mão e me deparei com uma matéria sobre o esforço de preservar essa casa, tão típica do Japão. Tenho que confessar que não li a matéria direito (sempre marco com post-its para ler depois, e o depois não chega), mas fiquei encantada com as imagens, que me suscitaram tantas lembranças e saudosismo…

Acho que por isso gostei do resultado do desenho, dos poucos que faço e gosto.

Fevereiro 21, 2009

Um monstro

Arquivado em: arquitetura, divagações, feelings, literatura, vida confusa — Tags:, , , , , — melodyfairy @ 3:49 am

É como me sinto agora: um monstro. Caxumba em pleno Carnaval! Tudo bem que nem gosto de Carnaval, assisto só um pouquinho dos desfiles porque acho bonitos os carros alegóricos. E gosto de assistir a apuração (não sei direito porquê, já que não acompanho quase nada dos desfiles). Mas enfim, caxumba ninguém merece, ainda mais num feriadão…

E eu que achava minha cara redonda e gorda, nunca imaginei que ela pudesse ficar tão maior… E o pior, cada vez que olho no espelho, ela parece maior ainda!

E eu que sou uma grande apreciadora da gastronomia (hahaha) e não consigo viver sem um chocolatinho, não tenho conseguido comer quase nada… Porque qualquer coisinha que eu coloco na boca me causa uma dor absurda no ouvido, absurda meeesmo…

E cá estou, no meio da madrugada, fuçando blogs de culinária e de emagrecimento (contraditória, eu? =P). As únicas coisas boas disso tudo são que 1 kg já se foi e parece que vou ter muito tempo para ler e cuidar do meu rancho no Harvest Moon.

***

Por falar em leitura, tenho lido bastante! Esperar o fofinho sair da faculdade (acho que fui mais na dele em 1 mês do que na minha em 1 semestre! XD) me faz ficar longe das coisas inúteis na internet e dedicar meu tempo aos livros (e mangás, influência dele).

Últimos lidos, que nem comentei:

Haruki Murakami . Kafka on the Shore – Excelente, como todos dele que eu já li. E, como os outros, fala das relações humanas, das buscas de cada um, da solidão… Repleto de surrealismo, de coisas fora do normal que, entretanto, não tiram nem um pouco a realidade de tudo o que o livro passa.

Truman Capote . Breakfast at Tiffany’s – O livro mais lindo que li no ano passado, formado por contos dentre os quais o Breakfast at Tiffany’s, que originou o filme. Fala muito de sentimentos e sonhos e é do tipo que se lê chorando e sorrindo e se termina com um ar meio melancólico. Uma pena que meu Inglês ainda seja muito pobre pra entender toda a complexidade do que ele escreve, para captar todos os detalhes das descrições…

Vladimir Nabokov – Lolita - A história já é bem famosa por causa do filme do Kubrick, que acho que retratou bem o livro (vi o filme antes, há muito tempo, e lembrava de muitas cenas enquanto lia). Conta a história de um homem psicótico fascinado por menininhas de 12, 13 anos de idade. E é bacana entrar na mente dele através de sua narrativa, em primeira pessoa, como uma carta de confissão, que vai mostrando tudo o que ele pensa e sente e tudo o que planeja para ficar com sua Lolita.

Haruki Murakami . Underground - Outro Murakami, mas bem fora dos padrões do que tinha lido dele até agora. Underground é um livro com entrevistas com pessoas envolvidas e que tiveram suas vidas modificadas pelo ataque de gás sarin no metrô de Tokyo em 1995, colocado em prática por uma organização religiosa chamada Aum. Há entrevistas bem tocantes, tanto de pessoas indignadas com as sequelas deixadas pelo sarin ou com a morte de alguém querido quanto de outras que sentem como se tivessem renascido depois do ataque. E também há o outro lado da história, com pessoas que fazem ou fizeram parte da Aum mostrando suas crenças, o estilo de vida que levavam e o que acharam do ataque. Uma discussão interessante sobre fanatismo em geral e, para mim, ainda mais interessante por mostrar diversos estilos de vida e formas de pensamento, além de ter como cenário alguns lugares pelos quais passei no Japão.

Clarice Lispector . Água Viva – Um livro de reflexões, bem no formato de linha de pensamento, bem Clarice mesmo. Uma espécie de carta a alguém de quem a personagem principal dependeu bastante, cheia de passagens tocantes sobre sentimentos, sobre a vida e sobre a arte.

Gabriel Garcia Márquez – Memórias de Minhas Putas Tristes – Sobre um velho que sempre fugiu de relacionamentos mas que, ao completar 90 anos, resolve se dar de presente uma jovem virgem e, só então, se apaixona. O tema lembra muito o de A Casa das Belas Adormecidas do Kawabata (que é, inclusive, citado logo no começo), mas as semelhanças param aí. Muito bonito e otimista.

Alain de Botton – Arquitetura da Felicidade – Gostoso de ler e muito interessante, com um pouco de História da Arquitetura e muita crítica e reflexão. Mesmo (e talvez, principalmente) para quem não é arquiteto e acha a arquitetura algo supérfluo. Porque as construções também tem vida e podem influenciar bastante em nosso estado de espírito. E por isso, devem ser pensadas além da funcionalidade, considerando a beleza e os ideais que queremos que elas passem. É bacana que ele fala de diversos aspectos da arquitetura, em diversas escalas (desde o design ao planejamento urbano) e traça paralelos com sua experiência pessoal em diversas partes do mundo.

+ o lado nerd aflorando:

Akira Toriyama . Dragon Ball - Ainda estou no comecinho, quando o Goku ainda é criancinha e tudo se passa muuuito rápido, com muitos personagens aparecendo e sumindo de um capítulo para o outro. Mas a história é bem criativa e se baseia em lendas da cultura oriental, bem interessante.

Masashi Kishimoto . Naruto - É o mangá que mais estou gostando de ler até agora. Porque a trama é bem desenvolvida, os personagens também, não é tão infantil e nem adulto, é uma leitura gostosa e os desenhos são bem bonitos. Só fico um pouco confusa e demoro a entender o que acontece nas lutas (se estão chutando ou socando ou pulando, quem bateu em quem… =P).

Lido:

Tsugumi Ohba e Takeshi Obata . Death Note – Gostei bastante mas é bem pesado. Conta a história de um caderno deixado na Terra por um Shinigami no qual qualquer pessoa que tiver o nome escrito nele morre. O caderno é encontrado por um estudante que vê nele a possibilidade de consertar as coisas erradas do mundo. Embora a intenção inicial seja boa (apesar de ser bem questionável esse direito de matar), no decorrer da história ele vai perdendo a noção dos limites e passa a eliminar todos aqueles que transpõem seu caminho, inclusive o próprio pai. A história é bem pensada mas algumas coisas são um pouco forçadas. E faz pensar bastante sobre ética e atitutes… O que cada um faria se tivesse um caderno desses?

Janeiro 5, 2009

Going crazy…

Arquivado em: arquitetura, enrolando, grrr, trabalhando — Tags:, , — melodyfairy @ 12:16 pm

Desabafo momentâneo…

Porque minha chefe me mandou trocentas mensagens ontem meia-noite pra falar tudo o que eu tinha que fazer hoje “o mais cedo possível”. E eu chego no escritório e está tudo de cabeça pra baixo, estantes vazias, livros em cima da mesa, quadros no chão. E um pintor me liga falando “pra gente dar um jeitinho” porque ele pintou as paredes no sábado e não deu tempo de esperar a tinta secar pra arrumar as coisas. E descubro, por email, que a secretária que eu adorava foi demitida e  que é pra ajudarmos com o telefone até contratarem outra, o que só vai ser em Fevereiro. E estou sozinha e louca desde então, tentando atender mil ligações, resolver problemas com o fornecedor, resolver problemas na obra… E o telefone não pára de tocar e eu odeio telefones (ainda mais agora). E a chefe não pára de chamar no Nextel e eu descobri que odeio Nextel, ainda mais que telefone. E acho que o “pára” já não tem mais acento, mas não li direito as mudanças na Língua Portuguesa e não tenho certeza! =P E não consigo fazer a impressora funcionar de jeito nenhum. E também não estou conseguindo fazer mais nada direito porque toda hora liga alguém pedindo pra ligar pra outra pessoa, ou pra mandar o projeto tal, ou pra deixar recado pra fulano e etecétera, etecétera, etecétera…

Será que aguento um mês desse jeito? o_O

Preciso de chocolate, URGENTE! *dieta de 2009 indo pro buraco*

Chega de besteira, melhor voltar ao trabalho!

Março 9, 2008

Vendo a vida de outra maneira…

Arquivado em: Japão, andanças, arquitetura, futebol — Tags:, , , , , , , — melodyfairy @ 11:30 am

Óculos novos! =) Roxo, minha cor favorita!

Fomos novamente para Hamamatsu hoje, para renovar o visto do meu pai. No caminho, um monte de gente com a camisa do Júbilo na rua (tudo azulzinho!), estádio aberto, entrega de calendário na entrada… Dia de jogo! Acho que a entrada era franca porque pudemos entrar lá e tirar foto sem pagar nada, faltando meia hora pro início da partida… Mas, apesar da minha enooorme insistência (enorme mesmo), meu pai não quis ficar… =S

Saudades (de novo saudades) de assistir futebol no estádio! O Yamaha Stadium é minúsculo, acho que todas as cadeiras dele juntas não dá um setor do Morumbi (projetado na década de 50 por Artigas e que está para ter uma intervenção de Ruy Ohtake para a Copa de 2014 *medoooo*). Mas o estádio do Júbilo inteiro não chega nem perto do Pacaembu, ou seja, já dá pra ter uma idéia do quanto ele é pequeno! =P

Fomos pra Hama, descobrimos que meu pai não precisa renovar o visto ainda e decidimos (ou melhor, eu decidi) entrar num depato que tem um kanji de hon (livro) enoorme na entrada, indicando uma livraria no sexto andar. Uma estantezinha pequenina com livros em Inglês, mas com ótimos títulos! Ainda vou comprar uns dez! Mas hoje me segurei e só dei uma olhadinha pra planejar minhas futuras aquisições! ;P

Achei que passaria o dia sem gastar quase nada (só com alimentos, água e passagens, coisas essenciais) até que passamos em frente de uma loja de óculos, no mesmo andar da livraria. Óculos liiindos e muito baratos, com exame de vista incluso. Muito bacana o sistema daqui… Você escolhe o óculos, já faz o exame (igualzinho o do Brasil) e fica tudo pronto em meia hora! E o próprio atendente da loja é o oftalmologista! A sorte é que um dos atendentes falava Inglês e foi super simpático e prestativo. Até brincou com a gente, fez piada (difícil encontra japonês assim) e no fim ganhamos desconto e uma bolsinha!

Achei que o domingo seria perdido, mas no fim foi bem bacana!

“Embaralhei o que senti,

mas o descarte deixei pra depois…”

Ludov. Disco Paralelo

Dezembro 17, 2007

Formiguinhas…

Arquivado em: arquitetura, voluntariado — Tags:, , , — melodyfairy @ 10:20 am

Esse semestre pude cursar uma das melhores matérias que já tive na faculdade, sobre desenvolvimento sustentável. O assunto está em alta agora: todo mundo falando sobre aquecimento global e discutindo o futuro do planeta; reportagens todo domingo no Fantástico; e a sensação, na pele, de que as coisas estão mudando (17ºC em São Paulo em meados de dezembro? Alguma coisa deve estar muito errada mesmo…).

Mas às vezes parece que muita coisa vem sendo discutida e pouca vem sendo feita… E o trabalho final que minha dupla e eu desenvolvemos era justamente de levantamento do que vem sendo feito na América Latina para tornar as cidades mais sustentáveis. E tem muita coisa bacana mesmo, que nem tomamos conhecimento: todas as mudanças sociais e urbanas de Bogotá (Colômbia), projeto de agricultura urbana com uso de dejetos orgânicos como fertilizantes em Camilo Aldao (Argentina), desenvolvimento de um sistema de esgoto ambientalmente correto em Cuernavaca (México), e muitas outras iniciativas.

Vale lembrar que os países latino-americanos ainda se encontram em uma dinâmica diferente, tentando se adequar à chamada Agenda Marrom, que visa alcançar sociedades justas e igualitárias nas quais toda população tenha uma boa condição de vida. A Agenda Marrom deveria seguir em paralelo com a Agenda Verde (que corresponde às metas em relação à preservação e recuperação do meio ambiente), mas muitas vezes, por uma questão de prioridades, esta última ainda é deixada um pouco de lado por aqui…

Pesquisando o que vem sendo feito no Brasil, encontramos um projeto pelo qual me apaixonei! Todo início de ano, o Instituto Elos, uma ONG de Santos, promove a Escola Aberta de Verão dos Guerreiros Sem Armas, que une estudantes de diversos países e moradores de ambientes físico e socialmente degradados de Santos, como cortiços e favelas, para a melhoraria das condições de vida nesses locais. Juntos, eles projetam e constroem praças, creches e centros comunitários utilizando técnicas e recursos disponíveis. Para dar continuidade a essas ações, o programa Comum-Unidade procura estimular a formação de associações comunitárias para captar recursos e implantar uma cultura de cooperação no município.

Além da melhoria das condições de vida e da auto-estima dessas comunidades, a ação do Instituto Elos promove também uma formação diferenciada dos jovens estudantes que participam do projeto, incentivando a convivência, o trabalho em grupo, o intercâmbio de culturas e experiências, a percepção do espaço, a integração com a natureza e algumas mudanças em seus estilos de vida como, por exemplo, a alimentação vegetariana durante o projeto visando a conscientização sobre o consumo excessivo de carne e seus efeitos no meio ambiente (necessidade de desmatamento de áreas enormes para serem transformadas em pastos).

Na edição deste ano do Guerreiros sem Armas, cerca de 60 jovens passaram 30 dias em Santos com a comunidade dos cortiços do Centro. Construíram um jardim para as crianças em um terreno antes abandonado e reabilitaram o Edifício Apene, retirando mais de uma tonelada de lixo e entulho do prédio e possibilitando a futura instalação do Centro Cultural dos Cortiços.

O projeto é maravilhoso mesmo, fiquei morrendo de vontade de participar!! *.* Quem sabe no ano que vem, né! Depois que comecei a frequentar algumas coisinhas da Abeuni, percebi que não é conversa fiada isso de que o trabalho voluntário traz muito mais benefícios para quem ajuda do que para quem é ajudado… Faz um bem enorme mesmo, deixa a alma leve! E se quisermos um mundo melhor de verdade, não tem outro jeito: temos que colocar a mão na massa… Trabalho de formiguinha, como diz a professora dessa matéria que cursei. Mas basta olhar para o formigueiro e ver como as coisas funcionam bem se cada um fizer um pouquinho!

E vale a pena dar uma olhadinha na história de vida do fundador do Instituto Elos, Edgar Gouveia Júnior. Inspirador!

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