Hoje foi feriado em São Paulo, graças à Revolução Constitucionalista de 32. Bem propício para dormir até tarde, para emendar com o fim de semana e ir para a praia, para passear pela cidade ou simplesmente para não fazer nada! Mas não na minha família…
Não sei se é coisa de japonês, mas desde criança sempre foi tradição visitar os túmulos da família pelo menos duas vezes ao ano, no dia de Finados no Brasil e no dia de Finados no Japão. Mas como meus pais ficaram um tempinho na terrinha e desde que voltaram não tinham feito a peregrinação anual, decidiram que hoje, no dia da Revolução de 32, seria a data propícia para isso.
Voltei cedinho da casa do namorado do outro lado da cidade (literalmente) e, depois de esperar muuuuito pelo ônibus (que nos dias de feriado em São Paulo ficam tão raros), acabei chegando em casa umas 9 e pouco. Era para sair às 9, mas minha mãe ainda estava praticamente de pijama assistindo Ana Maria Braga (acho que sei de quem puxei minha capacidade de enrolar tanto)… E foi tanta enrolação que deu tempo para um dos meus tios e meu padrinho chegarem para nos visitar…
Meu padrinho voltou recentemente do Japão e ainda está naquela fase de adaptação, procurando o que fazer. E como meu irmão acabou não indo ao passeio em família, acho que ele pensou que visitar túmulos por São Paulo não seria tão ruim assim e resolveu ir conosco. E lá fomos nós 4 + anexo (padrinho) passear pelos cemitérios.
Sei que parece uma coisa bem bizarra de ser dita, mas visitas a cemitérios podem ser proveitosas num certo sentido. O que tem de arte sacra de grande beleza e importância nesses lugares! Tem até projeto da Prefeitura para conhecer as obras de arte tumulares de maior destaque (descobri agora, vou ver se visito um dia).
E, além do mais, sou uma pessoa bastante curiosa, como já disse algumas vezes. Então, mesmo sem arte, eu fico olhando as fotinhos dos túmulos pelos quais passo, vendo as datas de nascimento e morte, os epitáfios e imaginando como foi a vida da pessoa, se foi feliz, se realizou seus sonhos… Isso já faz a visita não ser de todo chata.
Hoje vi, em um daqueles túmulos em forma de capela, a foto de uma moça tão linda, da minha idade, imagino, ou até mais nova, um rosto tão feliz… E nessas horas a gente percebe que isso de morte está mais perto do que a gente pensa, que pode ser agora, não se sabe… Que tendo tempo ou não de ter feito o que se quiz, de ter realizado sonhos, de ter se apaixonado, de ter viajado, a vida pode acabar. É fragil assim.
Mas, enfim, visitamos ao todo 3 cemitérios. O Cemitério São Paulo, nas Clínicas, foi o primeiro. É o mais bonito, no qual fica o túmulo da família da minha mãe. A família nem é tão chique assim, para ter túmulo lá. Mas meu bisavô, segundo minha mãe conta, foi um professor bastante querido de Karatê e, quando morreu, seus alunos fizeram uma vaquinha e lhe compraram aquele túmulo.

Próximo ao dele tem o de uma família cigana. Sempre fico olhando porque é todo bonito e rebuscado e por causa das fotos das pessoas, vestidas com roupas típicas da cultura e tal. Muito bonito mesmo. Por lá há os túmulos mais bonitos que já vi (já que nunca tive um pretexto para entrar no Cemitério da Consolação e ainda não tive coragem de visitar só por visitar).



Depois fomos ao Cemitério da família do meu pai, em Santo André. Lá os túmulos são todos parecidos e não há nada de muito destaque pela beleza. Mas é lá que meu avô paterno está e, sei lá, me deu uma tristezazinha pensar nele. Porque foi tão de repente sua morte que, para mim, ele ainda está lá, na casa dele e, num dia qualquer que eu for visita-lo, ele vai estar vendo TV, vai me chamar de “Bakataré” e me dar aquelas balinhas coloridas Pan que não tem gosto de nada ou aquelas bolachinhas Panco… haha!


E, por último, fomos no cemitério onde está minha bisavó materna, em São Caetano (também nada de interessante por lá). E fim ao dia de peregrinação, ufa!
Até que renderam fotos bonitas! =) Mas ainda prefiro os cemitérios do Japão, no meio mesmo das casinhas! [só para comparar]



Sobre essas coisas de morte:
Recomendo
Recomendação da minha mãe, parece muito bom!



