in a blanket of clouds…

Setembro 4, 2008

Da beleza do meu silêncio

Julho passou, Agosto passou e nada de posts… Setembro começando e resolvi criar vergonha na cara e dar uma passadinha pra tirar as teias de aranha desse espaço e pra justificar toda essa ausência… O silêncio desses últimos tempos nao significa que a vida aqui no Brasil esteja menos intensa que no Japão. Muito pelo contrário! Tenho vivido tanta coisa desde que voltei… E tantas coisas lindas, tantas experiências novas! Queria ter contato tudo conforme foi acontecendo, mas ora por falta de tempo, ora por preguiça mesmo, infelizmente não o fiz…

Teve Caravana da Abeuni pra Atibaia no finzinho de Julho e eu finalmente participei! 10 dias alojada numa escola, prestando atendimento à população local e tentando, de alguma forma, melhorar a vida na região. E aprendendo, aprendendo muito! Conhecer e conviver com pessoas novas, pessoas boas, que também estavam lá procurando ajudar; receber um sorriso, um carinho e até uma garrava de refrigerante (!!!) daquela gente simples; ouvir as histórias de vida, tão diferentes, tão díspares… Realmente, tudo isso não tem preço. Era um mundinho perfeito, uma bolha de esperança… Sair de lá e voltar ao mundo real foi meio que um choque mas deixou o gostinho de saber que é possível construir muito com trabalho de formiguinha!

Teve show do Muse! E foi simplesmente perfeito! Três anos de espera que valeram muito a pena! Principalmente com o piano de Butterflies and Hurricanes, que nunca pensei poder ouvir assim, ao vivo!! E toda aquela energia, todo mundo cantando, luz, muita luz! Perfeito!!!

Teve viagem para o sítio com o pessoal da faculdade! E embora tenha ficado só um pouquinho, já valeu bastante a pena! Fogueira, marshmallows e conversas especiais com pessoas queridas!

Teve chá de bebê de uma amiga querida, da época dos Backstreet Boys… Primeiro chá de bebê, primeira amiga grávida… Assustador!

Teve volta à facul e reencontro com o pessoal de lá… Tão triste estar teoricamente no último semestre, muito dificil encontrar os amigos com quem antes passava o dia inteiro, por vezes (muitas vezes) até as madrugadas (projetando! nada de baladas!). Agora é só de vez em quando, rapidinho pelos corredores ou numa carona para o metrô! Mas é bom, muito bom, mesmo assim!

E tem ele, que vem me ensinando tanto! Me fazendo viver e sentir tanta coisa nova e mostrando o quanto é bom amar alguém assim, o quanto é bonito… E enchendo meus dias de felicidade, muita… =)

***

Pelo celular: “R., olha pro céu! Tem um arco-íris em volta do sol!”

=)

***

Birds flying high you know how I feel

Sun in the sky you know how I feel

Reeds drifting on by you know how I feel

It’s a new dawn it’s a new day it’s a new life for me

And I’m feeling good


Fish in the sea you know how I feel

River running free you know how I feel

Blossom in the trees you know how I feel

It’s a new dawn it’s a new day it’s a new life for me

And I’m feeling good


Dragonflies all out in the sun

You know what I mean, don’t you know

Butterflies are all having fun

You know what I mean

Sleep in peace

When the day is done

And this old world is new world and a bold world for me


Stars when you shine you know how I feel

Scent of the pine you know how I feel

Yeah freedom is my life

And you know how I feel

It’s a new dawn it’s a new day it’s a new life for me

And I’m feeling good


Muse . Feeling good

Maio 23, 2008

Kanpai!

Chorando copiosamente escrevo esse post… Não achei que me sentiria assim, não achei que os laços se fariam tão fortes… Só descobri na hora de ir embora que hoje* foi meu último dia (amanhã vai ser yasumi – dia de folga)… Tirei tudo do armário, deixando um vazio incômodo. Bati o cartão de ponto pela última vez e pela última vez olhei para o refeitório, para o escritório, o depósito… as bancadas, os daishas cheios de peças, a bagunça… Me despedi de cada um com um choro contido e recebi sorrisos sinceros em rostos que me desejavam boa sorte e diziam que ainda nos encontraríamos um dia, mas que sei que nunca mais verei… O shachô e a esposa me disseram para voltar a trabalhar pra eles caso retornasse ao Japão; o irmão do shachô correu atrás do carro para apertar minha mão e me dar um tchau… E eu que pensei que os laços não se fariam tão fortes…

Ontem* foi aniversário do shachô e teve churrasco brasileiro na fábrica, depois do expediente. Picanha, linguiça, vinagrete, pão de forma, caipirinha… Parabéns pra você em Português mesmo, pagode, forró e muitos ‘kanpais’ (maneira como os japoneses brindam)… 9 da noite e todo mundo animado, alguns até demais! Inclusive o shachô, que resolveu fazer um discurso infinito pra demonstrar sua felicidade e, depois, ficou nos contando de suas travessuras de criança com fogos de artifícios! E foi muito bom sentir essa proximidade, esse clima de intimidade entre todos. Ali não estavam mais chefes e colegas de trabalhos, mas sim amigos, pessoas que se gostam.

9 e meia da noite e após alguns olhares raivosos do vizinho, o shachô ligou para um amigo, dono de um sunaku (snack bar) e fechou o bar pra gente, tudo por conta dele! E aí a noite ficou bem japonesa: karaokê e biru (= beer = cerveja). Mas, claro, com toda a alegria brasileira: todo mundo dançando, fazendo piada, zuando! Inclusive os japas! Muito divertido!

E no meio da noite, o shachô dedicou uma música pra mim! *.* Não entendi nada do que ele falou e a princípio achei que estava pedindo pra eu ir lá cantar com ele… Mas entre as poucas palavras em Japonês do meu vocabulário, entendi um “mata doyobi” e um “arigato ne” e ai o coração apertou… Mais ainda quando a esposa dele veio falar comigo, agradecendo também, e começou a chorar… E, sem saber o que fazer, dei um meio abraço nela (japoneses não gostam muito de contato… =P).

Mais de uma da manhã e ninguém falando em ir embora! Isso em plena quinta-feira!!! Até brinquei com o irmão do shachô: “Ashita, yasumi ne?” (Amanhã é folga né?), ele deu uma risadinha e desconversou. Acabei indo embora quase 2h com as meninas do bafu (buffer, aquelas politrizes), as últimas a entrarem na fábrica, mas as mais divertidas de todo o pessoal. Estão sempre fazendo piada, cutucando, rindo! Sempre espalhando alegria, alegria que vai me fazer muita falta também…

E hoje foi um dia de trabalho difícil: todo mundo esgotado, alguns de ressaca, hora não passando e muita coisa pra fazer! Passei o dia inteiro ansiosa por ir embora, desejando mais que tudo deitar no meu futon duro e dormir pelo resto da eternidade (exagerada, sempre =P). Mas quando soube que justo esse, o mais cansativo de todos os dias que trabalhei lá, era meu último, a vontade era de ficar mais um pouquinho, de passar mais alguns instantes carimbando e embalando as peças, de ter mais um kyukei (intervalo) em companhia daquelas pessoas, ouvindo as brincadeirinhas bobas, as reclamações sobre o trabalho, as fofoquinhas…

Queria guardar tudo isso comigo, cada instante que vivi lá, cada sorriso, cada conversa… a maneira como a japonesada pronuncia meu nome, as tentantivas (frustradas na maioria das vezes) de me comunicar… Porque lá, de alguma forma, me senti em casa, me senti querida… E é triste saber que não vou ter nada disso mais, que vai ser quase impossível encontrar novamente com algum deles… Talvez algum dia, who knows? Mas ficam todas as lembranças e agradeço muito a todos eles pelo que vivi aqui e pelo que estou sentindo agora… Porque se as lágrimas escorrem tanto é que tudo foi bom e valeu a pena e vou leva-los sempre no meu coração, onde quer que eu esteja…

* Era para eu ter terminado e publicado o post ontem, mas por uma impossibilidade técnica (leia-se, cansaço + olhos inchados de tanto chorar) não consegui. Portanto, ontem é anteontem e hoje é ontem! E amanhã é amanhã mesmo, o futuro me espera, chega de chorar! =)

The Counting Crows . Angels of the Silences
Well I guess you left me with some feathers in my hand
Did it make it any easier to leave me where I stand?
I guess there might not be too many who would stand beside you now
Where’d you come from? Where am I going?
Why’d you leave me ’till I’m only good for…

Waiting for you
All my sins…
I said that I would pay for them if I could come back to you
All my innocence is wasted on the dead and dreaming

Every night these silhouettes appear above my head
Little angels of the silences that climb into my bed and whisper
Every time I fall asleep Every time I dream
“Did you come? Would you lie?
Why’d you leave us ’till we’re only good for…

Waiting for you
All my sins…
I said that I would pay for them if I could come back to you
All my innocence is wasted on the dead and dreaming

I dream of Michelangelo when I’m lying in my bed
Little angels hang above my head and read me like an open book
Suck my blood break my nerve offer me their arms
Well, I will not be an enemy of anything
I’ll only stand here

Waiting for you
All my sins…
I said that I would pay for them if I could come back to you
All my innocence is wasted on the dead and dreaming

Novembro 26, 2007

Sagitário, ascendente em Aquário, lua em Escorpião

Arquivado em: 101 in 1001, amizade, feelings, liberdade, misticismo, vida confusa — Tags:, , — melodyfairy @ 7:51 pm

Talvez isso explique tudo…

Tive minha fase mística e até hoje acredito muito nessas coisas! Não nesses horóscopos vagos de jornal (embora às vezes eles façam sentido), mas em Astrologia, em Numerologia, e na força da combinação dessas coisas na minha vida.

Outro dia, reencontrando uma amiga no ônibus depois de anos sem nos vermos e contando das coisas da vida, da minha ida ao Japão e do desejo de voltar pra lá, da faculdade e da incerteza de estar na área certa, da vontade de aprender e do interesse por quase tudo, sem um foco específico e de não estar namorando e não querer me apegar a ninguém no momento, ela concluiu que eu deveria ser de algum signo de fogo. Afirmei com a cabeça e complementei com meu ascendente.. Sagitário + Aquário… Daí a vontade extrema de ser livre e de não me prender a nada. Escorpião é responsável pelos extremismos de sentimentos, pelo meu lado dramático de sentir as coisas, pela pontinha de dor no coração e pela felicidade excessiva às vezes.

Entretanto, a liberdade com que trato tudo e todos anda sendo tomada por indiferença… Não me considero indiferente, gosto demais de certas pessoas e isso me basta… Não gosto de ficar provando que gosto, me incomoda ter que demonstrar… Gosto e ponto. Gosto dos momentos vividos, das alegrias compartilhadas, de ajudar nos problemas…

Mas todo mundo gosta de se sentir especial e acho que isso não está entre as coisas que faço melhor! Minha memória é péssima, esqueço aniversários se o orkut não avisa… Odeio telefone e tento ficar o mais longe possível dele… E tenho meus períodos anti-sociais, me escondo na minha concha e fujo de tudo…

Só que talvez esteja perdendo muito com isso… Porque embora eu não me importe tanto com essas coisas, as pessoas normais se importam… E se tem alguma lição que estou tirando dessa coisa toda é que não basta gostar, tem que parecer que gosta…

Well, well.. melhor eu começar a fazer um esforço, sair dessa minha carapaça, grudar no telefone e me comunicar com as pessoas importantes… E melhor começar agora!

Essa vai pra lista dos 101! Vai ser um esforção…

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