in a blanket of clouds…

Fevereiro 26, 2009

Hoje

Arquivado em: amor, divagações, feelings, memories, vida confusa — Tags:, , , , , — melodyfairy @ 3:00 pm

Ele está lá todo coberto dormindo… Eu levantei a pouco, na ponta dos pés, e vim como de costume dar uma xeretada na vida alheia pela Internet. Mil abas abertas no Firefox enquanto como o bolo de chocolate feito ontem, que não deu muito certo (faltou açúcar). E está sol lá fora, um azul lindíssimo. Mas mesmo que chovesse como ontem, daquelas chuvas torrenciais de não se ver nada pela frente, o dia estaria igualmente lindo. Porque daqui a pouco ele acorda e se dá conta de que não estou lá. “Owwww!”. E isso me faz rir e levantar, e ir deitar ao lado dele novamente, abraçando-o. Isso me faz feliz!

E hoje, enquanto fuçava os blogs, fui parar sem querer no meu antigo. E passei algumas horas da manhã lendo posts, pensamentos e comentários de uns 3, 4, 5 anos atrás… E revivi muita coisa: os primeiros anos de faculdade, o choque da ida dos meus pais ao Japão, a minha primeira ida ao Japão, as descobertas todas, o choque da volta, as crises, sempre as crises. E como eu era chata (muito mais do que agora)! E como algumas lamentações parecem besteira depois de tanto tempo, enquanto outras ainda persistem…

Mas me agradou ver uma evolução em mim, um amadurecimento… Ver que já não reclamo tanto, que aos poucos pareço me encontrando… Ver o quanto minha vida é mais completa agora apesar de ainda existirem dúvidas sobre o futuro, sobre a carreira… Ver o quanto tudo mudou. Antigamente eu só conseguia olhar pra tudo o que faltava e me lamentar. Agora acho que consigo enxergar a beleza das coisas simples que me completam e me fazem ser o que sou.

Por tudo isso, hoje me sinto feliz!

“Owwwww!” =)

“Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.”


Carlos Drummond de Andrade

Novembro 19, 2008

Arquivado em: amor, divagações, feelings, vida confusa — Tags:, , — melodyfairy @ 9:07 pm

Andando por horas e horas, andando em círculos

Andando só corpo: mente em outro lugar, coração já não me pertence há tempos

Andando e buscando palavras

que consigam expressar tudo o que guardo comigo

tudo o que preciso te dizer

Por que é tão difícil?

Setembro 4, 2008

Da beleza do meu silêncio

Julho passou, Agosto passou e nada de posts… Setembro começando e resolvi criar vergonha na cara e dar uma passadinha pra tirar as teias de aranha desse espaço e pra justificar toda essa ausência… O silêncio desses últimos tempos nao significa que a vida aqui no Brasil esteja menos intensa que no Japão. Muito pelo contrário! Tenho vivido tanta coisa desde que voltei… E tantas coisas lindas, tantas experiências novas! Queria ter contato tudo conforme foi acontecendo, mas ora por falta de tempo, ora por preguiça mesmo, infelizmente não o fiz…

Teve Caravana da Abeuni pra Atibaia no finzinho de Julho e eu finalmente participei! 10 dias alojada numa escola, prestando atendimento à população local e tentando, de alguma forma, melhorar a vida na região. E aprendendo, aprendendo muito! Conhecer e conviver com pessoas novas, pessoas boas, que também estavam lá procurando ajudar; receber um sorriso, um carinho e até uma garrava de refrigerante (!!!) daquela gente simples; ouvir as histórias de vida, tão diferentes, tão díspares… Realmente, tudo isso não tem preço. Era um mundinho perfeito, uma bolha de esperança… Sair de lá e voltar ao mundo real foi meio que um choque mas deixou o gostinho de saber que é possível construir muito com trabalho de formiguinha!

Teve show do Muse! E foi simplesmente perfeito! Três anos de espera que valeram muito a pena! Principalmente com o piano de Butterflies and Hurricanes, que nunca pensei poder ouvir assim, ao vivo!! E toda aquela energia, todo mundo cantando, luz, muita luz! Perfeito!!!

Teve viagem para o sítio com o pessoal da faculdade! E embora tenha ficado só um pouquinho, já valeu bastante a pena! Fogueira, marshmallows e conversas especiais com pessoas queridas!

Teve chá de bebê de uma amiga querida, da época dos Backstreet Boys… Primeiro chá de bebê, primeira amiga grávida… Assustador!

Teve volta à facul e reencontro com o pessoal de lá… Tão triste estar teoricamente no último semestre, muito dificil encontrar os amigos com quem antes passava o dia inteiro, por vezes (muitas vezes) até as madrugadas (projetando! nada de baladas!). Agora é só de vez em quando, rapidinho pelos corredores ou numa carona para o metrô! Mas é bom, muito bom, mesmo assim!

E tem ele, que vem me ensinando tanto! Me fazendo viver e sentir tanta coisa nova e mostrando o quanto é bom amar alguém assim, o quanto é bonito… E enchendo meus dias de felicidade, muita… =)

***

Pelo celular: “R., olha pro céu! Tem um arco-íris em volta do sol!”

=)

***

Birds flying high you know how I feel

Sun in the sky you know how I feel

Reeds drifting on by you know how I feel

It’s a new dawn it’s a new day it’s a new life for me

And I’m feeling good


Fish in the sea you know how I feel

River running free you know how I feel

Blossom in the trees you know how I feel

It’s a new dawn it’s a new day it’s a new life for me

And I’m feeling good


Dragonflies all out in the sun

You know what I mean, don’t you know

Butterflies are all having fun

You know what I mean

Sleep in peace

When the day is done

And this old world is new world and a bold world for me


Stars when you shine you know how I feel

Scent of the pine you know how I feel

Yeah freedom is my life

And you know how I feel

It’s a new dawn it’s a new day it’s a new life for me

And I’m feeling good


Muse . Feeling good

Abril 11, 2008

Mais um final triste…

“Without her, the house was empty and stifling. The air was filled with a gritty layer of dust, which stuck in my throat with each breath. I remembered the record, the old Nat King Cole record she gave me. But search as I might, it was nowhere to be found. She must have taken it with her.

Once again Shimamoto had desappeared from my life. This time, though, leaving nothing to pin my hopes on. No more probablys. No more for a whiles.”

Quinta-feira passada, uma e meia da manhã… Luto contra o sono, movida pela misteriosa magia que um certo autor japonês que nem preciso mais falar o nome tem sobre mim… Também nem preciso falar que valeu muito a pena! Apesar de ter passado o dia inteiro bocejando pela fábrica, olhos pesados, corpo cansado (mais que o normal)… e mente carregada pela habitual melancolia pós-Murakami…

South of the border, west of the sun é um livro sobre o amor e toda a complexidade que essa palavra pode carregar… Sobre desejos e idealizações, escolhas e mágoas, impossibilidades e sequelas… Conta a história de Hajime, um empresário bem sucedido, dono de um bar de jazz*, bem casado e pai de duas filhas mas que sempre carregou secretamente consigo o amor por Shimamoto, sua melhor amiga quando ambos tinham 13 anos. Sua vida perfeita entra em colapso quando ela aparece em seu bar, despertando nele o desejo de viver esse amor, contido na adolescência e idealizado por mais de 20 anos. Mas nada na vida é tão simples assim e Murakami é mestre em retratar as profundezas dos sentimentos humanos e todas as suas contradições.

Lembrei de uma reportagem que vi num dia dos namorados sobre a ‘alma-gêmea’… Perguntaram a um sociólogo o que ele pensava a respeito e ele disse que a alma-gêmea está na cabeça de cada um, que projetamos essa idéia no outro, buscando encontrar sua realização… Murakami retrata justamente isso. Somos seres individuais e, querendo ou não, solitários, feitos de desejos, esperanças, medos, frustrações… E, talvez por um instinto natural, estamos sempre em busca de alguém que nos complete, que nos proteja, ouça nossos problemas e minimize essa solidão… Mas como, se esse outro também é desejo, medo, esperança, frustração e, em vez de nos completarmos, na maioria das vezes nos chocamos? E, no fim, fica esse gosto amargo na boca, não exatamente desagradável, mas incômodo… O gosto já tão natural da solidão…

Domingo passado, voltando do Parque das Flores de Hamamatsu (lindo lindo, ainda preciso postar as fotos!), passei na livraria e não resisti: mais um Murakami! Parece meio doido, mas gosto dessa melancolia… Me faz querer viver mais e aproveitar os momentos bons, enfrentar meus medos, meus fantasmas, correr os riscos e me dar a chance de deixar alguém chegar perto… Porque finais sempre haverão, sejam eles tristes ou felizes… Mas tenho aprendido que são os ‘meios’ que importam mais… E, como já disse Vinicius, ‘que seja infinito enquanto dure’.

Resisto agora a começar o livro que comprei, dessa vez de contos: Blind Willow, Sleeping Woman. A primeira frase já está me chamando, hipnotizante: “When I closed my eyes, the scent of the wind wafted up towards me.” Quando fecho meus olhos… tanta coisa quando fecho meus olhos… Mas tenho que ler Harry Potter antes, todos eles, coisa dos 101. Não sei porquê, mas Harry Potter não me anima muito… E no momento, estou vivendo a vida animalesca de um colégio militar de Llosa (e estou gostando bastante!). E vivendo a minha vidinha medíocre, meus amores complicados, minhas inseguranças, meu cansaço. Vivendo.

* Aaahhh! Quero ter um bar de jazz quando crescer, para quem sabe um dia poder escrever tão bem quanto o Murakami… “Tudo que preciso saber na vida aprendi no meu bar de jazz.”…

** Agradeço demais pelos comentários!!! Isso me faz tão feliz! =)

Mas Cora Coralina?? Meu Deus, quem me dera!!! ^^

Novembro 23, 2007

Nas nuvens…

Arquivado em: feelings, memories — Tags:, , — melodyfairy @ 1:54 pm

picture by Stefan Engstrom

Fui me cadastrar no del.icio.us e, procurando um nickname não identificável por indianos intrometidos que parecem querer ser eu, me lembrei de algo da infância e me pus a rir…

… Estava na quarta série de um colégio católico no qual estudei por uns 5 anos. Toda manhã eramos obrigados a formar filas no pátio por ordem de tamanho, de turma e separados por sexo, para cantar o Hino Nacional. Eu, honrando minha ascendência nipônica, era a segunda da fila. Ele era o menino mais baixo da turma, ficava praticamente ao meu lado enquanto o hino tocava. Era bonitinho, cabelos castanhos claros e bem curtos e sua baixa estatura o fazia ainda mais meigo. Mas nunca tinha prestado muita atenção. Sabe como é, sou do tempo no qual crianças de 10 anos costumavam somente brincar ou ter namorinhos bobos, de segurar na mão e tal… Claro que já haviam as mais avançadinhas na época, que já se achavam grandes o suficiente pra se depilar e brincavam de salada mista com os meninos. Mas nunca fui desse grupo: minha turminha era das meninas que pulavam elástico nos intervalos e não eram assim muito populares.

Foi numa aula de matemática que tudo começou. A professora nos mandava resolver os problemas (de divisão… quem dera meus problemas voltassem a ser simples como nessa época!) na lousa, um por um, por ordem de carteira. Na minha vez, o problema estava justamente na parte da lousa logo a frente do primo dele, que estudava na mesma sala e sentava na primeira carteira de uma fileira perto da porta. Assim que eu terminei, o menino, que era uma peste pelo que lembro, me chamou e disse que “o M… gosta de você”. Eu nem sabia o que fazer, fingi que não ouvi e voltei pro meu lugar. No intervalo vi os dois discutindo, ele brigando pelo primo ter contado.

Mas foi por causa de uma aula de Educação Física que me lembrei disso tudo! A professora (Romilda, me lembro dela até hoje! Meio gorda e muito carrasca… o tipo de professora bem marcante na vida do tipo de aluna como eu, meio nerd e com pouquíssimas – pra não dizer nenhuma – habilidades esportivas) havia faltado e tivemos que fazer aula com os meninos. O professor deles nos colocou em ordem de tamanho (o que me fez ficar ao lado dele e do primo) e nos fez dar as mãos numa roda. No final da aula, mãos dadas, os dois começaram a cantar “****** nas nuvens” (onde ****** é meu nome), pra me provocar. Achei o cúmulo do convencimento! Por que eles achavam que eu estaria nas nuvens só por saber que um deles gostava de mim?

Mais tarde comecei a gostar, mas foi desse gostar infantil, que só olha e nunca diz nada (nossa, pensando bem, a maioria dos meus “gostar” é infantil o_O). Colocando assim em palavras não pareceu tão intenso quanto lembrando… Lembranças podem ser tão fortes às vezes! E tudo por causa de um “in clouds” que coloquei depois do meu nick, para disfarça-lo!

Será que daí vem meu fascínio por nuvens? É, parece que elas representam pra mim muito mais do que eu imaginava… Representam a pureza dos amores infantis e tantas outras coisinhas bobas que ficam escondidas em algum cantinho da memória…

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