in a blanket of clouds…

Junho 30, 2008

Aprendizado

Arquivado em: amor, divagações, feelings, poesia, vida confusa — Tags:, , , , — melodyfairy @ 5:57 pm

“Acho que devemos sempre fazer o que queremos…”

Sentados na escada escura e fria, com a luz fraca do celular iluminando seu rosto, você soltou essa frase… E ela saiu de sua boca com uma simplicidade falsa e, enganada por tal simplicidade, deixei que entrasse por meus ouvidos e dominasse meu ser… E explodiu dentro de mim feito bomba atômica e continua ecoando por cada parte, por cada célula do meu corpo… Porque sempre podei todos os meus desejos com as expectativas dos outros, sempre pensei muito mais no que os outros pensariam do que no que eu realmente desejava… E assim sempre vivi pela metade, incompletamente… Até encontrar você…

E eu achava que eu não era eu quando estava ao seu lado… Porque estar contigo me faz fazer coisas que o eu que eu conhecia até então não faria e me faz sentir coisas que esse eu também nunca tinha sentido… Mas agora vejo que, na verdade, o eu que sou quando estou contigo é meu eu mais completo: um eu sem tantas amarras, um eu que faz o que deseja e que busca a felicidade… a sua e a minha. E isso me tem feito muito bem.

Lembrete . Carlos Drummond de Andrade

Se procurar bem, você acaba encontrando
não a explicação (duvidosa) da vida,
mas a poesia (inexplicável) da vida.

Março 7, 2008

Saudades…

… das conversas com minha mãe e dos quitutes que ela faz…

… do sol que entra no meio da tarde pela janela da sala, tingindo tudo de laranja…

… dos passeios noturnos pelo bairro com minha cadela…

… dos jogos de nerd ou dos filmes não assistidos nos fins de semana…

… dos ovomaltines até o shopping fechar…

… das noites viradas no ICQ ou no MSN…

… da energia da arquibancada laranja do Morumbi…

… de Ludov ao vivo…

… de ir ao mercado e à quitanda…

… de andar da Liberdade à Sé de manhãzinha para pegar o ônibus para a facul…

… de pão de queijo e mate com abacaxi…

… de jantar no shopping e ir a pé até a aula de Inglês…

… de aulas do departamento de História…

… de alívio pós-entrega de projetos…

… de conversas durante o almoço na cantina…

… dos estúdios 1 e 2…

… de visitas de campo…

… de dias de truco nas horas de almoço…

… das corridas no parque perto de casa…

… das corridas no CEPE…

… de Mupy nas feirinhas de domingo da Liba…

… de visitas de outros Estados para mudar a rotina…

… de Clarice no TUSP…

… de andar sem destino pela Paulista…

… da Livraria Cultura do Conjunto Nacional…

… dos sebos do centro…

… de salsa com pessoas especiais…

… de rock com pessoas especiais…

… de DJ club com pessoas especiais…

… de Black Dog com pessoas especiais…

… de pilequezinho ao som de RHCP em São Roque…

… de noite das meninas fofocando…

… de filmes de terror em S. André…

… da Fundação Japão…

… do Sincinato…

… do Itaú Cultural…

… do MAM…

… de piquenique no Ibira…

… de coreografia dos BSB…

… de showcase do Five…

… de teatrinhos do colégio…

… do metrô Armênia…

… de aulas de arte do Mosaner…

… do bosque da Federal e das flores que caiam das árvores e enfeitavam o caminho…

… de ficar sentado no chão no final da rampa…

… de jogar futebol o dia inteiro…

… de comprar besteiras no Furacão…

… de matar aula pra ir no cinema…

… de Limite Vertical e chuva, muita chuva…

… de jogo do Brasil e Malhação na Copa…

… de Kuki…

… de festas nos apatos alheios…

… de piquenique no parque e ventania…

… de tapas na bunda no café da manhã…

… de Pinky e Cérebro e Tico e Teco…

… da Lucy Liu no aeroporto e do saquê negado no avião…

… de torta na cara com merengue…

… de lamen do Asuka…

… de Centro Cultural Vergueiro…

… de Novo Mundo no sábado de manhã…

… de Itupeva…

… de futebol na tv nos domingos…

… de começo do ano no Guarujá…

… de Morungaba…

… de chuva torrencial no Hopi Hari…

… da minha cachorra deitando no chão toda vez que eu chegava em casa, esperando carinho…

… de fazer bolos e muffins…

… do ohayô e combanwa do meu odi todos os dias…

… das bananas que roubavamos da janela dele…

… do papai noel que vinha todo Natal…

… de votar para os meus pais, ainda na época das cédulas de papel…

… das balinhas de chocolate e mel da obá…

… da outra obá me ensinando a quebrar ovo e brincando no quintal comigo…

… de balinhas pan e sequilhos…

… de tatu-bola…

… do cheiro da casa do meu outro odi…

… dos fogos de artifício na varanda…

… e de tantas, tantas outras coisas…

Me bateu um saudosismo hoje (nem deu pra reparar né?) enquanto tirava as peças da linha, sentia meu pé latejar e meu dedo sangrava… Lembrei da sensação de estar na sala de casa (no Brasil) numa tarde de primavera ou verão… Da luz do sol entrando pela janela, aquecendo a pele, expondo a poeira fina que paira no ar… Minha mãe provavelmente sentada no sofá fazendo tricô ou origami, conversando comigo e assistindo tv…

Respirei fundo, e era como estar respirando naquela atmosfera e não na fábrica gelada e suja. E milhões de cenas começaram a surgir na minha memória e fui sentindo-as uma a uma, relembrando-as, revivendo-as… Foi mágico e bom. Mas junto, uma melancoliazinha e a vontade de ter tudo aquilo de volta… E, pra variar, o questionamento sobre as escolhas e a incerteza dos próximos passos…

Ter vindo ao Japão pela primeira vez foi uma experiência maravilhosa e única mas, ao mesmo tempo, uma espécie de perdição. Porque se “home is where your heart is”, acho que sempre terei pelo menos dois lares e desejarei estar nos dois ao mesmo tempo. Se ao menos fossem lugares mais próximos! =P Mas a vida é complicada assim e eu sou mais complicada ainda!

E é melhor eu ir dormir porque amanhã, apesar de ser sábado (estou ficando tão louca que pra mim amanhã era sexta de novo o_O), vai ser um dia duro!

Março 5, 2008

AaaaaaAAAaa!

“I got married when I was thirty. I met my wife one summer holiday while I was travelling alone. She was five years younger than me. I was walking along a road in the country, when it suddenly started raining. I ducked into the nearest place I could find to get out of the storm, and she and a girlfriend were already there. All three of us were soaked to the skin and we started talking while we waited for the rain to stop. If it hadn’t rained then, if I had taken an umbrella (which was entirely possible, since I had seriously debated doing so before I left the hotel), I would never had met her. And if I hadn’t met her, I’d still be slaving away at the educational publisher’s, still leaning against the wall in my flat at night, alone, drinking and babbling to myself. It makes me realize how limited our possibilities ever are.”

in Murakami . South of the border, west of the sun

Sim, AINDA estou lendo o Murakami que comecei há quase um mês atrás (shame on me!). Mas não me tem sobrado tempo nem pra respirar direito, de tanto que tenho trabalhado! Só hoje me liberaram às 6 (o que pode ser um péssimo sinal…) e, apesar de ter perdido a chave de casa e ter tido que pular a janela o_O, cá estou aproveitando (ou desperdiçando?) o que resta do meu tempo livre para escrever minhas baboseiras nesse blog e deixar a leitura de lado mais uma vez. Só tenho lido uns 15 minutinhos por dia, no tempo que sobra do almoço, isso quando não fico papeando…

Foi numa dessas conversinhas dos momentos de folga que o M. me contou sobre a vida dele… Aos 14 anos, por andar em má companhia, acabou apanhando do pai. No meio da briga, levantou a mão ameaçando um soco mas pensou duas vezes e desistiu. O pai, daqueles japoneses bem orgulhosos e cabeça-dura, disse que ele não era homem e mandou que juntasse suas coisas e fosse embora (claro, da boca pra fora, achando que o filho não teria coragem suficiente). Ele, mais cabeça dura ainda, partiu para a Colômbia naquela madrugada com uns “amigos traficantes”. Ficou mais de 2 anos por lá, fritando hamburgueres e fazendo uma espécie de curso profissionalizante, sem dar qualquer sinal de vida à família. Mas quando ligou para uns amigos e descobriu que o pai estava doente e cheio de remorsos, acabou voltando para casa (e apanhando do irmão por ter sumido daquele jeito). Uns meses depois, decidiu ir para o Japão. O pai o desincentivou dizendo que aqui ele seria um analfabeto, não conseguiria nada da vida. Faz mais de 15 anos que ele está aqui. Trabalhou, estudou, fala e lê Nihongo muito bem, abriu uma funilaria aqui e uma empresa de projetos de estruturas metálicas no Brasil e está trabalhando como pintor lá na fábrica para ajudar o shachô que “ensinou tudo o que ele sabe sobre pintura de mão beijada”.

Essa foi a história de vida mais absurda ouvi por aqui (sem contar as fofoquinhas e suposições, que incluem marido pego na cama com outro homem e chefe ex-sunaku girl – aquelas acompanhantes de casas noturnas que não são exatamente prostitutas). E eu adoro isso de conhecer outras vidas, outros caminhos que, por acaso, destino ou escolha, nunca poderia viver.

Nesse ponto, sou absurdamente curiosa! Queria poder saber como outras pessoas vivem, onde moram, o que fazem, o que pensam, o que sentem… Passo de bicicleta na frente das casas e sempre tento dar uma espiadinha pela janela ou imaginar pelas roupas do varal ou pelos carros e bicicletas na garagem quantas pessoas vivem lá, se têm filhos, se são felizes… Ou olho para as pessoas na rua, para os rostos, os jeitos como estão vestidas e tento ouvir pedaços de conversas que me mostrem algum sinal de pessoalidade.

Por tudo isso, uma das coisas que mais tem me desesperado aqui é não saber falar Nihongo! Sábado retrasado, o odisan simpático que trabalha na fábrica me falou um monte de coisa que não entendi, abriu uma caixinha e me deu um daifuku (um mochi recheado com uma espécie de chantilly). Ele sempre faz isso, de falar, falar, falar, mesmo sabendo que eu não entendo nada, e depois abrir um sorriso e dizer “wakaranai, ne?” (não entendeu, né?). Dessa vez, a única coisa que entendi foi a palavra “musume” (filha). Conversando com as meninas na hora do kyukei, perguntei o que a filha dele tinha a ver com o mochi. Uma delas disse que foi a filha dele quem encomendou os daifukus numa loja e tal, e começou a me contar a história dele.

Na época do colégio, ele tinha duas “amigas” que gostavam dele. Acabou casando com uma, com quem teve filhos e netos. Mas depois de mais de 40 anos junto dela, resolveu se separar para ficar com a outra amiga. Hoje, o filho dele o renega e ele não tem nem contato com o neto… Essa filha que ele citou é, na verdade, filha da segunda esposa dele e o considera mesmo como pai. E ele diz que agora, apesar de tudo, ele é feliz.

E esse post está uma bagunça mesmo, mudando de foco a cada parágrafo, indo pra Colômbia (aliás, que crise na América do Sul o_O), voltando pro Brasil, vindo pro Japão… E tudo só para eu desabafar que preciso urgentemente aprender Nihongo!!! E não pensem que não aprendi nada até agora por falta de estudo… Na verdade, o meu problema é o imediatismo, de querer tudo na hora, querer viver tudo e aprender tudo! Fico o dia todo tentando memorizar as palavras que me falam para tentar procurar no dicionário depois… Mas são tantas, tantas, que no fim todas desaparecem na minha mente ou se embaralham todas…… Ai ai, shoganai ne! =P

Fevereiro 17, 2008

the me I am now

Arquivado em: divagações, feelings, vida confusa — Tags:, , , , , — melodyfairy @ 10:52 am

“I think I understand what you mean,” she said in a mature, quiet voice.

“Really?”

“Um,” she answered. “There are some things in this world that can be changed and some that can’t. And time passing is one thing that can’t be redone. Come this far and you can’t go back. Don’t you think so?”

I nodded.

“After a certain length of time has passed, things harden. Like cement in a bucket. And we can’t go back any more. What you want to say is that the cement that makes you up has set, so the you you are now can’t be anyone else.”

Estava há algumas semanas me esforçando profundamente para ler A arte da felicidade do Dalai Lama que meu padrinho me emprestou (e me pergunta se já li toda vez que me liga…). Não que o livro seja ruim… Há passagens interessantes e animadoras, com pinceladas da cultura oriental misturadas com explicações da ciência ocidental a respeito da sensação de felicidade. O problema é que eu simplesmente odeio livros de auto-ajuda! Porque, pra mim, um livro tem que fazer sentir e levar para lugares antes inimagináveis…

Além disso, a essência do livro (ou pelo menos das 100 primeiras páginas que consegui ler) está numa das músicas do The Verve, que tem sido praticamente um mantra pra mim há quase três anos, desde que entrei numa loja de usados em Kuki e comprei o CD sem conhecer direito a banda, só pelo nome parecer familiar e pela capa ter cara de banda boa…

Happiness

More or less

It’s just a change in me

Something in my liberty

Enfim, por tudo isso larguei o Dalai Lama ontem e arrisquei um livro em Inglês, mesmo que eu ainda esteja bem capenga nesse idioma… E, dos tantos que comprei, adivinha qual chamou mais alto? Acho que Murakami me entende, sempre. Nele encontro em palavras coisas que sempre sinto mas que nunca conseguiria explicar tão bem… Logo no primeiro capítulo de South of the border, west of the sun, encontro esse diálogo lindo do começo do post, que me fez pensar em uma porção de coisas…
… 
Na época do colegial, voltava para casa bem tarde, umas 10 e meia da noite (ah, era tarde na época! =P), com o pessoal do técnico. Eramos em 6, 5 dos quais moravam na Zona Leste e pegavam metrô até lá. E era um dos momentos mais divertidos do dia, eu chegava a ter dores de barriga de tanto que ria! O Fernando era o mais divertido de nós! Tudo o que ele falava era tão naturalmente engraçado que era impossível ficar séria perto dele! Ele tinha uma carinha de rato e um ótimo gosto para literatura, música e artes. E adorava revistas científicas!

Foi numa dessas viagens de metrô que ele me falou a respeito da teoria dos mimens (ou algo parecido) que ele tinha lido na última Superinteressante ou Scientific American. Foi a primeira e a última vez que ouvi falar do assunto, até tentei procurar algo na Internet a respeito, para dar veracidade a essa bagunça toda que são meus pensamentos, mas não tive sucesso. Também não lembro direito da explicação, mas dizia que somos todos formados por mimens que, segundo os resquícios da teoria que ficaram na minha memória, são como partículas de idéias… A cada segundo, novas partículas se agregam ao nosso ser e, por isso, a cada segundo nos tornamos um ser diferente do que eramos. Estamos em constante mutação.

Acho que essa é uma idéia que sempre tive comigo, meio que no inconsciente, para amenizar minha mania do “se”, de sempre pensar como seria minha vida “se eu tivesse feito tal coisa”, ” se eu tivesse dito sim”, “se eu tivesse dito não”, “se algumas coisas fossem mais fáceis”… Com certeza, se tudo fosse diferente, eu não seria eu… E não sei se isso é bom ou ruim, só sei que assim é.

Deixo tudo assim

não me importo em ver

a idade em mim

ouço o que convém

eu gosto é do gasto

sei do incomodo

e ela tem razão

quando vem dizer

que eu preciso sim

de todo o cuidado

e se eu fosse o primeiro

a voltar pra mudar

o que eu fiz

quem então agora eu seria

ahh tanto faz

e o que não foi não é

eu sei que ainda vou voltar

mas eu quem será?

deixo tudo assim

não me acanho em ver

vaidade em mim

eu digo o que condiz

eu gosto é do estrago

sei do escândalo

e eles tem razão

quando vem dizer

que eu não sei medir

nem tempo e nem medo

e se eu for o primeiro

a prever e poder

desistir do que for dar errado

ahhh ora se não sou eu

quem mais vai decidir

o que é bom pra mim

dispenso a previsão

ahhh se o que eu sou

é também o que eu escolhi ser

aceito a condição

vou levando assim

que o acaso é amigo

do meu coração

quando falo comigo

quando eu sei ouvir

O velho e o moço . Los Hermanos

 

P.S.: Nevou hoje! 2 vezes! =)

Dezembro 1, 2007

Encontros, despedidas e divagações de madrugada

Arquivado em: amizade, divagações, feelings, vida confusa — Tags:, , , , , — melodyfairy @ 2:02 am

Dia corrido, mas bom!

Tarde de diva da zona leste! hahahah! Cabeleireiro com massagem (estava precisando!) por um preço baratinho baratinho! Não gostei muuuito do corte, pra variar.. Nunca gosto, mas acabo cortando mesmo assim! Estou pensando numas luzes, preciso amadurecer essa idéia… Chega uma hora que se enjoa de tudo.. acho que enjoei de ser eu! =P

Depois, despedida de uma amiga que está indo pros States… Fim de ano + quase fim de faculdade = pessoas se dispersando, cada vez mais e mais! Triste! A despedida foi boa pra encontrar com as pessoas… Cada um num ritmo de vida diferente, estagiando, fazendo matérias diferentes… quase impossível de se juntar na facul…

De lá, festinha da Fofito na Med! Revi uma amiga bem rapidinho pois ela estava ajudando no bar! Mas já foi bom! =) E tomei umas batidinhas, o que me deixou um pouco alta! =PPP Fazia tempo que não bebia, estava precisando acho… Pra relaxar um pouco!

E já é dezembro! o_O

Que estranho! Passou tão rápido! Parece que ontem mesmo estava escrevendo o post de Ano Novo no meu antigo blog… E ao mesmo tempo tanta coisa aconteceu!

Engraçado, existe uma época da vida que tudo parece ir tão devagar… que se anseia por crescer, por ter mais idade, por poder entrar na balada, dirigir, por ser dona do próprio nariz… E tem uma época em que tudo parece passar tão rápido que às vezes não dá tempo de aproveitar devidamente… e que se tem uma saudade enorme da infância, da falta de responsabilidade e de todos os sonhos e fantasias que se tinha e que depois viram bobagem… Acho que já estou nessa segunda fase! hahaha!

Síndrome de Peter Pan?? Pois é, sempre! Acho que é por isso que bebo! =P

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