in a blanket of clouds…

Abril 11, 2008

Mais um final triste…

“Without her, the house was empty and stifling. The air was filled with a gritty layer of dust, which stuck in my throat with each breath. I remembered the record, the old Nat King Cole record she gave me. But search as I might, it was nowhere to be found. She must have taken it with her.

Once again Shimamoto had desappeared from my life. This time, though, leaving nothing to pin my hopes on. No more probablys. No more for a whiles.”

Quinta-feira passada, uma e meia da manhã… Luto contra o sono, movida pela misteriosa magia que um certo autor japonês que nem preciso mais falar o nome tem sobre mim… Também nem preciso falar que valeu muito a pena! Apesar de ter passado o dia inteiro bocejando pela fábrica, olhos pesados, corpo cansado (mais que o normal)… e mente carregada pela habitual melancolia pós-Murakami…

South of the border, west of the sun é um livro sobre o amor e toda a complexidade que essa palavra pode carregar… Sobre desejos e idealizações, escolhas e mágoas, impossibilidades e sequelas… Conta a história de Hajime, um empresário bem sucedido, dono de um bar de jazz*, bem casado e pai de duas filhas mas que sempre carregou secretamente consigo o amor por Shimamoto, sua melhor amiga quando ambos tinham 13 anos. Sua vida perfeita entra em colapso quando ela aparece em seu bar, despertando nele o desejo de viver esse amor, contido na adolescência e idealizado por mais de 20 anos. Mas nada na vida é tão simples assim e Murakami é mestre em retratar as profundezas dos sentimentos humanos e todas as suas contradições.

Lembrei de uma reportagem que vi num dia dos namorados sobre a ‘alma-gêmea’… Perguntaram a um sociólogo o que ele pensava a respeito e ele disse que a alma-gêmea está na cabeça de cada um, que projetamos essa idéia no outro, buscando encontrar sua realização… Murakami retrata justamente isso. Somos seres individuais e, querendo ou não, solitários, feitos de desejos, esperanças, medos, frustrações… E, talvez por um instinto natural, estamos sempre em busca de alguém que nos complete, que nos proteja, ouça nossos problemas e minimize essa solidão… Mas como, se esse outro também é desejo, medo, esperança, frustração e, em vez de nos completarmos, na maioria das vezes nos chocamos? E, no fim, fica esse gosto amargo na boca, não exatamente desagradável, mas incômodo… O gosto já tão natural da solidão…

Domingo passado, voltando do Parque das Flores de Hamamatsu (lindo lindo, ainda preciso postar as fotos!), passei na livraria e não resisti: mais um Murakami! Parece meio doido, mas gosto dessa melancolia… Me faz querer viver mais e aproveitar os momentos bons, enfrentar meus medos, meus fantasmas, correr os riscos e me dar a chance de deixar alguém chegar perto… Porque finais sempre haverão, sejam eles tristes ou felizes… Mas tenho aprendido que são os ‘meios’ que importam mais… E, como já disse Vinicius, ‘que seja infinito enquanto dure’.

Resisto agora a começar o livro que comprei, dessa vez de contos: Blind Willow, Sleeping Woman. A primeira frase já está me chamando, hipnotizante: “When I closed my eyes, the scent of the wind wafted up towards me.” Quando fecho meus olhos… tanta coisa quando fecho meus olhos… Mas tenho que ler Harry Potter antes, todos eles, coisa dos 101. Não sei porquê, mas Harry Potter não me anima muito… E no momento, estou vivendo a vida animalesca de um colégio militar de Llosa (e estou gostando bastante!). E vivendo a minha vidinha medíocre, meus amores complicados, minhas inseguranças, meu cansaço. Vivendo.

* Aaahhh! Quero ter um bar de jazz quando crescer, para quem sabe um dia poder escrever tão bem quanto o Murakami… “Tudo que preciso saber na vida aprendi no meu bar de jazz.”…

** Agradeço demais pelos comentários!!! Isso me faz tão feliz! =)

Mas Cora Coralina?? Meu Deus, quem me dera!!! ^^

Fevereiro 3, 2008

Eu cairia! =P

Arquivado em: comics, humor, literatura — Tags:, , , , — melodyfairy @ 9:28 am

Adoooro Dostoiévski!
Valeuzão pela tirinha!!! Adorei! ^^

Janeiro 7, 2008

Meu primeiro Tolkien

Arquivado em: literatura — Tags:, , — melodyfairy @ 10:54 pm

Terminei de ler O Hobbit logo no primeiro dia do ano… esperava ter terminado antes porque o livro é desses gostosos e fáceis de ler, que quando se dá conta já está no fim! Até por conta do estilo do autor, que num único capítulo coloca um problema imenso, descreve cada personagem e cenários e, quando se pensa que já não há mais solução, a dificuldade é superada e já surge outra no lugar!

Confesso que não é o tipo de literatura que mais me atrai e não é o tipo que eu procuraria pra ler geralmente. Mas gostei! Foi muito bom pra passar o tempo e desligar de certas coisas que estavam me incomodando… E pra não pensar em nada, pra fantasiar um pouco! Só lamento não ter lido antes de ter visto o filme porque já associava tudo às imagens do filme e prefiro o contrário, comparar o que imaginei ao filme.

Bom, agora é tomar fôlego para tentar ler o Senhor dos Anéis!!! Mas agora é hora de outro Murakami (aliás, sempre é hora pra ele! s2)

Muitas muitas coisas pra contar, não sei nem como! Acho que vai ser por capítulos, espero ter ânimo para escrever tudo!

Dezembro 30, 2007

“Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros”

Arquivado em: literatura — Tags:, , , , , — melodyfairy @ 8:39 am

Terminei de ler A Revolução dos Bichos de George Orwell e confesso que o livro é totalmente diferente do que eu imaginava. As únicas informações que tinha era de o autor ser ligado ao comunismo e de ser um livro meio infanto-juvenil. E não sei porquê eu ligava com aquela história do passarinho que levava água no bico para apagar o incêndio na floresta… Acho que justamente por achar ser uma fábula em defesa do movimento socialista quando, na verdade, é justamente o contrário.

O livro é uma delícia de ser lido. Metáforas cheias de sarcasmo formam uma crítica forte ao movimento tal como aconteceu e, de maneira geral, a todos os regimes totalitaristas nos quais um grupo se beneficia dos demais por se julgarem superiores. Muitas das situações vividas pelos animais da Granja dos Bichos está diretamente ligada aos fatos da Revolução e é impossível não associar os líderes principais, os porcos Bola-de-Neve e Napoleão, às figuras de Trotsky e Stálin.

Na época, o autor não encontrou uma editora que quisesse publicar o livro pois a escrita, fácil para atingir o maior público possível e poder ser facilmente traduzido em diversos idiomas, deixava evidente a ligação com a Revolução Russa. Atualmente, acredito que a crítica ainda é bastante válida. Christopher Hitchens, autor do posfácio da edição da Companhia das Letras, por exemplo, menciona que o livro ainda é proibido em países como China, Coréia do Norte e Zimbábue. Ou seja, a Revolução dos Bichos não está nem um pouco ultrapassada e ainda é comum uns dominando ou tentando dominar os outros…

Além disso, os apêndices colocados nessa edição, com dois prefácios escritos pelo próprio Orwell, são bastante interessantes e deixam mais clara a posição política do autor e seu forte posicionamento em relação à liberdade de imprensa e de expressão. Muito bacana mesmo!

Dezembro 3, 2007

Mergulhada no caos pós-moderno

Inferno pra mim é ônibus da Zona Leste, velho, sujo (como tem gente porca nesse mundo, meu Deus!) e cheio de baratas, preso num emaranhado de carros em meio aos 35ºC de uma tarde escaldante e abafada… Mas era 1 hora e meia assim ou umas 5 a pé… Segurei o ataque de histeria (a barata ficava passando do meu lado toda hora… o_O) e minha vontade de descer do ônibus e por pouco não chego em casa já pronta para o jantar: cozida!

Voltava da Paulista… Fui à Fundação Japão pra devolver uns livros e não resisti: peguei um Murakami e levei comigo! Afinal, sempre há um tempinho para boas leituras, não importando se os tempos de caos e insanidade na faculdade já começaram! Ok, só eu sou louca o suficiente para achar que vou conseguir ler alguma coisa nas próximas duas semanas! Ou melhor, só eu sou louca o suficiente para achar que vou conseguir fazer algum trabalho nas próximas duas semanas com um livro desses por perto… =P

Vim lendo no ônibus. Mesmo com todo o calor, com o movimento de montanha-russa ultra-radical e com a companhia das baratinhas (ergh!). Ainda bem que não era um livro do Kawabata, com aquelas descrições maravilhosas de paisagens de inverno, de neve sem fim… Senão das duas uma: ou eu pulava pela janela pra acabar com aquele martírio infernal, ou cometia o sacrilégio de rasgar o livro em pedacinhos… E ainda bem que não era o Paixão segundo G.H. da Clarice… Não queria ter nenhum tipo de relação com aquele bichinho asqueroso!

Ainda estou no comecinho mas já gostando bastante… A personagem principal, Sumire, é uma jovem apaixonada por livros que pretende ser escritora e dedica-se somente a isso… até se apaixonar por Miu (que, detalhe, é outra mulher). A história é narrada por K., o melhor amigo da moça, apaixonado por ela desde que conversaram pela primeira vez, mas que nunca lhe disse o que sentia pois “o sentimento e as palavras certas não conseguiram se conectar”.

A linguagem é bem contemporânea, cheia de imagens e referências ao cinema, à música e à literatura, principalmente americanos, e “revela toda a solitária angústia que marca o homem da pós-modernidade”.

“Na primavera de seu vigésimo segundo ano, Sumire apaixonou-se pela primeira vez. Um amor intenso, um verdadeiro tornado que varre planícies – aplanando tudo em seu caminho, lançando coisas para o ar, deixando-as em frangalhos, triturando-as. A intensidade do tornado não abranda nem por um segundo, enquanto sua rajada atravessa o oceano, destruindo Angkor Wat, incinerando a selva indiana, tigres e tudo, transformando-se em uma tempestade de areia no deserto persa, sepultando uma exótica cidade-fortaleza sob um mar de areia. Em resumo, um amor de proporções realmente monumentais. A pessoa por quem Sumire se apaixonou era, por acaso, dezessete anos mais velha do que ela. E casada. E, devo acrescentar, era uma mulher. Foi aí que tudo começou, e onde tudo acabou. Quase.”

 

Do Murakami já tinha lido Norwegian Wood e adorei! Foi o primeiro livro que li esse ano e foi minha porta de entrada para a literatura japonesa… Levei para o Guarujá e lembro de ter devorado tão rápido que tive que comprar um outro livro na única livraria que encontrei para matar os momentos de tédio por lá. Livro esse, aliás, que nunca terminei…

Mas nesse momento, mergulhada no caos da minha vida e no caos do mundo, a única coisa que queria era voltar à minha leitura! E enquanto tento estudar Bogotá ou cortar as vigas da minha maquete de estrutura, “Minha querida Sputinik” parece me chamar… Será que resisto?

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