“I think I understand what you mean,” she said in a mature, quiet voice.
“Really?”
“Um,” she answered. “There are some things in this world that can be changed and some that can’t. And time passing is one thing that can’t be redone. Come this far and you can’t go back. Don’t you think so?”
I nodded.
“After a certain length of time has passed, things harden. Like cement in a bucket. And we can’t go back any more. What you want to say is that the cement that makes you up has set, so the you you are now can’t be anyone else.”
Estava há algumas semanas me esforçando profundamente para ler A arte da felicidade do Dalai Lama que meu padrinho me emprestou (e me pergunta se já li toda vez que me liga…). Não que o livro seja ruim… Há passagens interessantes e animadoras, com pinceladas da cultura oriental misturadas com explicações da ciência ocidental a respeito da sensação de felicidade. O problema é que eu simplesmente odeio livros de auto-ajuda! Porque, pra mim, um livro tem que fazer sentir e levar para lugares antes inimagináveis…
Além disso, a essência do livro (ou pelo menos das 100 primeiras páginas que consegui ler) está numa das músicas do The Verve, que tem sido praticamente um mantra pra mim há quase três anos, desde que entrei numa loja de usados em Kuki e comprei o CD sem conhecer direito a banda, só pelo nome parecer familiar e pela capa ter cara de banda boa…
Happiness
More or less
It’s just a change in me
Something in my liberty
Enfim, por tudo isso larguei o Dalai Lama ontem e arrisquei um livro em Inglês, mesmo que eu ainda esteja bem capenga nesse idioma… E, dos tantos que comprei, adivinha qual chamou mais alto? Acho que Murakami me entende, sempre. Nele encontro em palavras coisas que sempre sinto mas que nunca conseguiria explicar tão bem… Logo no primeiro capítulo de
South of the border, west of the sun, encontro esse diálogo lindo do começo do post, que me fez pensar em uma porção de coisas…
…
Na época do colegial, voltava para casa bem tarde, umas 10 e meia da noite (ah, era tarde na época! =P), com o pessoal do técnico. Eramos em 6, 5 dos quais moravam na Zona Leste e pegavam metrô até lá. E era um dos momentos mais divertidos do dia, eu chegava a ter dores de barriga de tanto que ria! O Fernando era o mais divertido de nós! Tudo o que ele falava era tão naturalmente engraçado que era impossível ficar séria perto dele! Ele tinha uma carinha de rato e um ótimo gosto para literatura, música e artes. E adorava revistas científicas!
Foi numa dessas viagens de metrô que ele me falou a respeito da teoria dos mimens (ou algo parecido) que ele tinha lido na última Superinteressante ou Scientific American. Foi a primeira e a última vez que ouvi falar do assunto, até tentei procurar algo na Internet a respeito, para dar veracidade a essa bagunça toda que são meus pensamentos, mas não tive sucesso. Também não lembro direito da explicação, mas dizia que somos todos formados por mimens que, segundo os resquícios da teoria que ficaram na minha memória, são como partículas de idéias… A cada segundo, novas partículas se agregam ao nosso ser e, por isso, a cada segundo nos tornamos um ser diferente do que eramos. Estamos em constante mutação.
Acho que essa é uma idéia que sempre tive comigo, meio que no inconsciente, para amenizar minha mania do “se”, de sempre pensar como seria minha vida “se eu tivesse feito tal coisa”, ” se eu tivesse dito sim”, “se eu tivesse dito não”, “se algumas coisas fossem mais fáceis”… Com certeza, se tudo fosse diferente, eu não seria eu… E não sei se isso é bom ou ruim, só sei que assim é.
Deixo tudo assim
não me importo em ver
a idade em mim
ouço o que convém
eu gosto é do gasto
sei do incomodo
e ela tem razão
quando vem dizer
que eu preciso sim
de todo o cuidado
e se eu fosse o primeiro
a voltar pra mudar
o que eu fiz
quem então agora eu seria
ahh tanto faz
e o que não foi não é
eu sei que ainda vou voltar
mas eu quem será?
deixo tudo assim
não me acanho em ver
vaidade em mim
eu digo o que condiz
eu gosto é do estrago
sei do escândalo
e eles tem razão
quando vem dizer
que eu não sei medir
nem tempo e nem medo
e se eu for o primeiro
a prever e poder
desistir do que for dar errado
ahhh ora se não sou eu
quem mais vai decidir
o que é bom pra mim
dispenso a previsão
ahhh se o que eu sou
é também o que eu escolhi ser
aceito a condição
vou levando assim
que o acaso é amigo
do meu coração
quando falo comigo
quando eu sei ouvir
O velho e o moço . Los Hermanos
P.S.: Nevou hoje! 2 vezes! =)