in a blanket of clouds…

Julho 5, 2008

Mais Murakami

Arquivado em: divagações, literatura, vida confusa — Tags:, — melodyfairy @ 1:00 pm

Sometimes fate is like a small sandstorm that keeps changing direction. You change direction, but the sandstorm chases you. You turn again, but the storm adjusts. Over and over you play this out, like some ominous dance with death just before dawn. Why? Because this storm isn’t something that blew in from far away, something that has nothing to do with you. This storm is you. Something inside you. So all you can do is give in to it, step right inside the storm, closing your eyes and plugging up your ears so the sand doesn’t get in, and walk through it, step by step. There’s no sun there, no moon, no direction, no sense of time. Just fine white sand swirling up into the sky like pulverised bones. That’s the kind of sandstorm you need to imagine.

[...]

And you really will have to make it through that violent, metaphysical, symbolic storm. No matter how metaphysical or symbolic it might be, make no mistake about it: it will cut through flesh like a thousand razor blades. People will bleed there, and you will bleed too. Hot, red blood. You’ll catch that blood in your hands, your own blood and the blood of others.

And once the storm is over you won’t remember how you made it through, how you managed to survive. You won’t even be sure, in fact, whether the storm is really over. But one thing is certain. When you come out of the storm you won’t be the same person who walked in. That’s what this storm’s all about.

in Murakami, Haruki. Kafka on the Shore.

Abril 11, 2008

Mais um final triste…

“Without her, the house was empty and stifling. The air was filled with a gritty layer of dust, which stuck in my throat with each breath. I remembered the record, the old Nat King Cole record she gave me. But search as I might, it was nowhere to be found. She must have taken it with her.

Once again Shimamoto had desappeared from my life. This time, though, leaving nothing to pin my hopes on. No more probablys. No more for a whiles.”

Quinta-feira passada, uma e meia da manhã… Luto contra o sono, movida pela misteriosa magia que um certo autor japonês que nem preciso mais falar o nome tem sobre mim… Também nem preciso falar que valeu muito a pena! Apesar de ter passado o dia inteiro bocejando pela fábrica, olhos pesados, corpo cansado (mais que o normal)… e mente carregada pela habitual melancolia pós-Murakami…

South of the border, west of the sun é um livro sobre o amor e toda a complexidade que essa palavra pode carregar… Sobre desejos e idealizações, escolhas e mágoas, impossibilidades e sequelas… Conta a história de Hajime, um empresário bem sucedido, dono de um bar de jazz*, bem casado e pai de duas filhas mas que sempre carregou secretamente consigo o amor por Shimamoto, sua melhor amiga quando ambos tinham 13 anos. Sua vida perfeita entra em colapso quando ela aparece em seu bar, despertando nele o desejo de viver esse amor, contido na adolescência e idealizado por mais de 20 anos. Mas nada na vida é tão simples assim e Murakami é mestre em retratar as profundezas dos sentimentos humanos e todas as suas contradições.

Lembrei de uma reportagem que vi num dia dos namorados sobre a ‘alma-gêmea’… Perguntaram a um sociólogo o que ele pensava a respeito e ele disse que a alma-gêmea está na cabeça de cada um, que projetamos essa idéia no outro, buscando encontrar sua realização… Murakami retrata justamente isso. Somos seres individuais e, querendo ou não, solitários, feitos de desejos, esperanças, medos, frustrações… E, talvez por um instinto natural, estamos sempre em busca de alguém que nos complete, que nos proteja, ouça nossos problemas e minimize essa solidão… Mas como, se esse outro também é desejo, medo, esperança, frustração e, em vez de nos completarmos, na maioria das vezes nos chocamos? E, no fim, fica esse gosto amargo na boca, não exatamente desagradável, mas incômodo… O gosto já tão natural da solidão…

Domingo passado, voltando do Parque das Flores de Hamamatsu (lindo lindo, ainda preciso postar as fotos!), passei na livraria e não resisti: mais um Murakami! Parece meio doido, mas gosto dessa melancolia… Me faz querer viver mais e aproveitar os momentos bons, enfrentar meus medos, meus fantasmas, correr os riscos e me dar a chance de deixar alguém chegar perto… Porque finais sempre haverão, sejam eles tristes ou felizes… Mas tenho aprendido que são os ‘meios’ que importam mais… E, como já disse Vinicius, ‘que seja infinito enquanto dure’.

Resisto agora a começar o livro que comprei, dessa vez de contos: Blind Willow, Sleeping Woman. A primeira frase já está me chamando, hipnotizante: “When I closed my eyes, the scent of the wind wafted up towards me.” Quando fecho meus olhos… tanta coisa quando fecho meus olhos… Mas tenho que ler Harry Potter antes, todos eles, coisa dos 101. Não sei porquê, mas Harry Potter não me anima muito… E no momento, estou vivendo a vida animalesca de um colégio militar de Llosa (e estou gostando bastante!). E vivendo a minha vidinha medíocre, meus amores complicados, minhas inseguranças, meu cansaço. Vivendo.

* Aaahhh! Quero ter um bar de jazz quando crescer, para quem sabe um dia poder escrever tão bem quanto o Murakami… “Tudo que preciso saber na vida aprendi no meu bar de jazz.”…

** Agradeço demais pelos comentários!!! Isso me faz tão feliz! =)

Mas Cora Coralina?? Meu Deus, quem me dera!!! ^^

Março 26, 2008

Mais do mesmo

“As we walked side by side, I wondered what feelings she held in her heart. And where those feelings would lead her. Sometimes I looked deep into her eyes, but all I could detect was a gentle silence. As before, the line of her eyelids brought to mind the horizon, far off in the distance. At long last I could understand Izumi’s loneliness when we were going out together. Shimamoto had her own little world within her. A world that was for her alone, one I could not enter. Once, the door to that world had begun to open a crack. But now it was closed.”

“What would tomorrow bring? I wondered. Both hands on the wheel, I closed my eyes. I didn’t feel as if I was in my own body; my body was just a lonely, temporary container I happened to be borrowing. What would become of me tomorrow I did not know. Buying my daughter a horse – the idea took on an unexpected urgency. I had to buy it for her before things disappeared. Before the world fell to pieces.”

Março 15, 2008

Mais um sonho…

Arquivado em: divagações, vida confusa — Tags:, , , , — melodyfairy @ 11:51 pm

Não sei que coisa bizarra tem acontecido no meu subconsciente, mas sonhei novamente hoje com a morte de uma pessoa querida demais… Dessa vez, quem morria era meu pai o_O. E de novo acordei me afogando em lágrimas, sensação estranha. Hoje, no entanto, o sonho foi mais surreal e acordar foi me libertar daquela atmosfera e não ficar pensando sobre a possibilidade de ter sido um pressentimento. Na verdade, meu pai mesmo nem apareceu no sonho, pelo que me lembro. Só sabia que era ele. As coisas dele estavam sendo jogadas de um enorme penhasco para o mar. Só que as coisas dele eram livros e mais livros, daqueles enormes, de capa dura, e meu pai nem gosta de livros! O que me faz pensar agora se quem morria não era eu…

Quase nunca lembro de sonhos. Só quando são coisas que me agoniam ou, raramente, daqueles sonhos perfeitos dos quais não se quer acordar (e que sempre são interrompidos dos melhores momentos =P). Lembrar tão constantemente de sonhos assim tem me incomodado… Freud explica?

Mudando totalmente de assunto… por que alguém que busca na internet por “vovos dando o cu” vem parar no meu blog?!? E, o pior, não foi uma única vez que uma pesquisa assim trouxe uma pessoa para cá… o_O Estranho, muito estranho!

E minha febre Murakami tem trazido interessados em “defeitos dos carneiros” para cá! Deve ser uma decepção para a pessoa cair nessa página, cheia de devaneios doidos e egocentrismos! hahahah!

Me divirto com essas estatísticas!

“You need sometime to be free

Time to go out searching for yourself

Hoping to find time to go to find”

Bread . It don’t matter to me

Março 5, 2008

AaaaaaAAAaa!

“I got married when I was thirty. I met my wife one summer holiday while I was travelling alone. She was five years younger than me. I was walking along a road in the country, when it suddenly started raining. I ducked into the nearest place I could find to get out of the storm, and she and a girlfriend were already there. All three of us were soaked to the skin and we started talking while we waited for the rain to stop. If it hadn’t rained then, if I had taken an umbrella (which was entirely possible, since I had seriously debated doing so before I left the hotel), I would never had met her. And if I hadn’t met her, I’d still be slaving away at the educational publisher’s, still leaning against the wall in my flat at night, alone, drinking and babbling to myself. It makes me realize how limited our possibilities ever are.”

in Murakami . South of the border, west of the sun

Sim, AINDA estou lendo o Murakami que comecei há quase um mês atrás (shame on me!). Mas não me tem sobrado tempo nem pra respirar direito, de tanto que tenho trabalhado! Só hoje me liberaram às 6 (o que pode ser um péssimo sinal…) e, apesar de ter perdido a chave de casa e ter tido que pular a janela o_O, cá estou aproveitando (ou desperdiçando?) o que resta do meu tempo livre para escrever minhas baboseiras nesse blog e deixar a leitura de lado mais uma vez. Só tenho lido uns 15 minutinhos por dia, no tempo que sobra do almoço, isso quando não fico papeando…

Foi numa dessas conversinhas dos momentos de folga que o M. me contou sobre a vida dele… Aos 14 anos, por andar em má companhia, acabou apanhando do pai. No meio da briga, levantou a mão ameaçando um soco mas pensou duas vezes e desistiu. O pai, daqueles japoneses bem orgulhosos e cabeça-dura, disse que ele não era homem e mandou que juntasse suas coisas e fosse embora (claro, da boca pra fora, achando que o filho não teria coragem suficiente). Ele, mais cabeça dura ainda, partiu para a Colômbia naquela madrugada com uns “amigos traficantes”. Ficou mais de 2 anos por lá, fritando hamburgueres e fazendo uma espécie de curso profissionalizante, sem dar qualquer sinal de vida à família. Mas quando ligou para uns amigos e descobriu que o pai estava doente e cheio de remorsos, acabou voltando para casa (e apanhando do irmão por ter sumido daquele jeito). Uns meses depois, decidiu ir para o Japão. O pai o desincentivou dizendo que aqui ele seria um analfabeto, não conseguiria nada da vida. Faz mais de 15 anos que ele está aqui. Trabalhou, estudou, fala e lê Nihongo muito bem, abriu uma funilaria aqui e uma empresa de projetos de estruturas metálicas no Brasil e está trabalhando como pintor lá na fábrica para ajudar o shachô que “ensinou tudo o que ele sabe sobre pintura de mão beijada”.

Essa foi a história de vida mais absurda ouvi por aqui (sem contar as fofoquinhas e suposições, que incluem marido pego na cama com outro homem e chefe ex-sunaku girl – aquelas acompanhantes de casas noturnas que não são exatamente prostitutas). E eu adoro isso de conhecer outras vidas, outros caminhos que, por acaso, destino ou escolha, nunca poderia viver.

Nesse ponto, sou absurdamente curiosa! Queria poder saber como outras pessoas vivem, onde moram, o que fazem, o que pensam, o que sentem… Passo de bicicleta na frente das casas e sempre tento dar uma espiadinha pela janela ou imaginar pelas roupas do varal ou pelos carros e bicicletas na garagem quantas pessoas vivem lá, se têm filhos, se são felizes… Ou olho para as pessoas na rua, para os rostos, os jeitos como estão vestidas e tento ouvir pedaços de conversas que me mostrem algum sinal de pessoalidade.

Por tudo isso, uma das coisas que mais tem me desesperado aqui é não saber falar Nihongo! Sábado retrasado, o odisan simpático que trabalha na fábrica me falou um monte de coisa que não entendi, abriu uma caixinha e me deu um daifuku (um mochi recheado com uma espécie de chantilly). Ele sempre faz isso, de falar, falar, falar, mesmo sabendo que eu não entendo nada, e depois abrir um sorriso e dizer “wakaranai, ne?” (não entendeu, né?). Dessa vez, a única coisa que entendi foi a palavra “musume” (filha). Conversando com as meninas na hora do kyukei, perguntei o que a filha dele tinha a ver com o mochi. Uma delas disse que foi a filha dele quem encomendou os daifukus numa loja e tal, e começou a me contar a história dele.

Na época do colégio, ele tinha duas “amigas” que gostavam dele. Acabou casando com uma, com quem teve filhos e netos. Mas depois de mais de 40 anos junto dela, resolveu se separar para ficar com a outra amiga. Hoje, o filho dele o renega e ele não tem nem contato com o neto… Essa filha que ele citou é, na verdade, filha da segunda esposa dele e o considera mesmo como pai. E ele diz que agora, apesar de tudo, ele é feliz.

E esse post está uma bagunça mesmo, mudando de foco a cada parágrafo, indo pra Colômbia (aliás, que crise na América do Sul o_O), voltando pro Brasil, vindo pro Japão… E tudo só para eu desabafar que preciso urgentemente aprender Nihongo!!! E não pensem que não aprendi nada até agora por falta de estudo… Na verdade, o meu problema é o imediatismo, de querer tudo na hora, querer viver tudo e aprender tudo! Fico o dia todo tentando memorizar as palavras que me falam para tentar procurar no dicionário depois… Mas são tantas, tantas, que no fim todas desaparecem na minha mente ou se embaralham todas…… Ai ai, shoganai ne! =P

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