AaaaaaAAAaa! Março 5, 2008
Posted by melodyfairy in Japão, amizade, amor, divagações, feelings, vida confusa.Tags: curiosidade, divagações, histórias, Murakami, Nihongo wakaranai, vida alheia
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“I got married when I was thirty. I met my wife one summer holiday while I was travelling alone. She was five years younger than me. I was walking along a road in the country, when it suddenly started raining. I ducked into the nearest place I could find to get out of the storm, and she and a girlfriend were already there. All three of us were soaked to the skin and we started talking while we waited for the rain to stop. If it hadn’t rained then, if I had taken an umbrella (which was entirely possible, since I had seriously debated doing so before I left the hotel), I would never had met her. And if I hadn’t met her, I’d still be slaving away at the educational publisher’s, still leaning against the wall in my flat at night, alone, drinking and babbling to myself. It makes me realize how limited our possibilities ever are.”
in Murakami . South of the border, west of the sun
Sim, AINDA estou lendo o Murakami que comecei há quase um mês atrás (shame on me!). Mas não me tem sobrado tempo nem pra respirar direito, de tanto que tenho trabalhado! Só hoje me liberaram às 6 (o que pode ser um péssimo sinal…) e, apesar de ter perdido a chave de casa e ter tido que pular a janela o_O, cá estou aproveitando (ou desperdiçando?) o que resta do meu tempo livre para escrever minhas baboseiras nesse blog e deixar a leitura de lado mais uma vez. Só tenho lido uns 15 minutinhos por dia, no tempo que sobra do almoço, isso quando não fico papeando…
Foi numa dessas conversinhas dos momentos de folga que o M. me contou sobre a vida dele… Aos 14 anos, por andar em má companhia, acabou apanhando do pai. No meio da briga, levantou a mão ameaçando um soco mas pensou duas vezes e desistiu. O pai, daqueles japoneses bem orgulhosos e cabeça-dura, disse que ele não era homem e mandou que juntasse suas coisas e fosse embora (claro, da boca pra fora, achando que o filho não teria coragem suficiente). Ele, mais cabeça dura ainda, partiu para a Colômbia naquela madrugada com uns “amigos traficantes”. Ficou mais de 2 anos por lá, fritando hamburgueres e fazendo uma espécie de curso profissionalizante, sem dar qualquer sinal de vida à família. Mas quando ligou para uns amigos e descobriu que o pai estava doente e cheio de remorsos, acabou voltando para casa (e apanhando do irmão por ter sumido daquele jeito). Uns meses depois, decidiu ir para o Japão. O pai o desincentivou dizendo que aqui ele seria um analfabeto, não conseguiria nada da vida. Faz mais de 15 anos que ele está aqui. Trabalhou, estudou, fala e lê Nihongo muito bem, abriu uma funilaria aqui e uma empresa de projetos de estruturas metálicas no Brasil e está trabalhando como pintor lá na fábrica para ajudar o shachô que “ensinou tudo o que ele sabe sobre pintura de mão beijada”.
Essa foi a história de vida mais absurda ouvi por aqui (sem contar as fofoquinhas e suposições, que incluem marido pego na cama com outro homem e chefe ex-sunaku girl – aquelas acompanhantes de casas noturnas que não são exatamente prostitutas). E eu adoro isso de conhecer outras vidas, outros caminhos que, por acaso, destino ou escolha, nunca poderia viver.
Nesse ponto, sou absurdamente curiosa! Queria poder saber como outras pessoas vivem, onde moram, o que fazem, o que pensam, o que sentem… Passo de bicicleta na frente das casas e sempre tento dar uma espiadinha pela janela ou imaginar pelas roupas do varal ou pelos carros e bicicletas na garagem quantas pessoas vivem lá, se têm filhos, se são felizes… Ou olho para as pessoas na rua, para os rostos, os jeitos como estão vestidas e tento ouvir pedaços de conversas que me mostrem algum sinal de pessoalidade.
Por tudo isso, uma das coisas que mais tem me desesperado aqui é não saber falar Nihongo! Sábado retrasado, o odisan simpático que trabalha na fábrica me falou um monte de coisa que não entendi, abriu uma caixinha e me deu um daifuku (um mochi recheado com uma espécie de chantilly). Ele sempre faz isso, de falar, falar, falar, mesmo sabendo que eu não entendo nada, e depois abrir um sorriso e dizer “wakaranai, ne?” (não entendeu, né?). Dessa vez, a única coisa que entendi foi a palavra “musume” (filha). Conversando com as meninas na hora do kyukei, perguntei o que a filha dele tinha a ver com o mochi. Uma delas disse que foi a filha dele quem encomendou os daifukus numa loja e tal, e começou a me contar a história dele.
Na época do colégio, ele tinha duas “amigas” que gostavam dele. Acabou casando com uma, com quem teve filhos e netos. Mas depois de mais de 40 anos junto dela, resolveu se separar para ficar com a outra amiga. Hoje, o filho dele o renega e ele não tem nem contato com o neto… Essa filha que ele citou é, na verdade, filha da segunda esposa dele e o considera mesmo como pai. E ele diz que agora, apesar de tudo, ele é feliz.
E esse post está uma bagunça mesmo, mudando de foco a cada parágrafo, indo pra Colômbia (aliás, que crise na América do Sul o_O), voltando pro Brasil, vindo pro Japão… E tudo só para eu desabafar que preciso urgentemente aprender Nihongo!!! E não pensem que não aprendi nada até agora por falta de estudo… Na verdade, o meu problema é o imediatismo, de querer tudo na hora, querer viver tudo e aprender tudo! Fico o dia todo tentando memorizar as palavras que me falam para tentar procurar no dicionário depois… Mas são tantas, tantas, que no fim todas desaparecem na minha mente ou se embaralham todas…… Ai ai, shoganai ne! =P
Offline Dezembro 27, 2007
Posted by melodyfairy in Japão, grrr.Tags: Internet, Nihongo wakaranai
2 comments
2 dias sem conexão com o mundo! Que dramática! Mas é verdade! Que desespero ficar sem Internet por aqui!
Meu pai solicitou conexão por fibra óptica e vieram instalar ontem pela manhã. Dois japoneses que não falavam absolutamente nada de Inglês, um esforço absurdo pra tentar entender o que eles queriam dizer! Instalaram e foram embora…
Quando tentamos conectar, felizes da vida por acharmos estar com conexão de Primeiro Mundo, nada funcionou… =S E lá vai ligar pro número do helpdesk que o japonês deixou! Só que a parte em Português é impossível, sempre sempre ocupada!Ai vieram todos os vizinhos aqui pra tentar fazer a Internet funcionar e nada…
Hoje já comecei a ligar pro helpdesk antes do horário de funcionamento, mas a parte em Português já começa o dia congestionada! Só me restou apelar para o Inglês. A moça que me atendeu é uma santa, vai para o céu com certeza! hahaha! Mas fiquei feliz, até que meu Inglês está comunicável! =)
Mandaram de novo os dois japoneses de ontem. Eles mexeram e me mandaram ligar de novo pro número pra configurar. “Setsumei! Eto…”, um deles me disse, apontando pro número e pensando numa forma de explicar… Olhei no dicionário, ele viu que eu o entendi e foi embora fazendo aquelas reverências japonesas. Engraçado!
Preciso aprender Nihongo logo! É triste estar aqui, cruzar com um monte de gente e não poder me comunicar… Enquanto estou sem emprego, tenho assistido uma novelinha besta tipo Malhação à tarde pra ver se me acostumo com a língua e começo a aprender alguma coisa! Vamos ver se dá certo! Pelo menos o que é setsumei eu já sei! =P
