in a blanket of clouds…

Maio 25, 2009

Florbela

Arquivado em: amor, divagações, feelings, literatura, vida confusa — Tags:, , — melodyfairy @ 12:38 am

O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais;

há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa;

sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!

Florbela Espanca, retirado daqui

Fevereiro 26, 2009

Hoje

Arquivado em: amor, divagações, feelings, memories, vida confusa — Tags:, , , , , — melodyfairy @ 3:00 pm

Ele está lá todo coberto dormindo… Eu levantei a pouco, na ponta dos pés, e vim como de costume dar uma xeretada na vida alheia pela Internet. Mil abas abertas no Firefox enquanto como o bolo de chocolate feito ontem, que não deu muito certo (faltou açúcar). E está sol lá fora, um azul lindíssimo. Mas mesmo que chovesse como ontem, daquelas chuvas torrenciais de não se ver nada pela frente, o dia estaria igualmente lindo. Porque daqui a pouco ele acorda e se dá conta de que não estou lá. “Owwww!”. E isso me faz rir e levantar, e ir deitar ao lado dele novamente, abraçando-o. Isso me faz feliz!

E hoje, enquanto fuçava os blogs, fui parar sem querer no meu antigo. E passei algumas horas da manhã lendo posts, pensamentos e comentários de uns 3, 4, 5 anos atrás… E revivi muita coisa: os primeiros anos de faculdade, o choque da ida dos meus pais ao Japão, a minha primeira ida ao Japão, as descobertas todas, o choque da volta, as crises, sempre as crises. E como eu era chata (muito mais do que agora)! E como algumas lamentações parecem besteira depois de tanto tempo, enquanto outras ainda persistem…

Mas me agradou ver uma evolução em mim, um amadurecimento… Ver que já não reclamo tanto, que aos poucos pareço me encontrando… Ver o quanto minha vida é mais completa agora apesar de ainda existirem dúvidas sobre o futuro, sobre a carreira… Ver o quanto tudo mudou. Antigamente eu só conseguia olhar pra tudo o que faltava e me lamentar. Agora acho que consigo enxergar a beleza das coisas simples que me completam e me fazem ser o que sou.

Por tudo isso, hoje me sinto feliz!

“Owwwww!” =)

“Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.”


Carlos Drummond de Andrade

Setembro 4, 2008

Da beleza do meu silêncio

Julho passou, Agosto passou e nada de posts… Setembro começando e resolvi criar vergonha na cara e dar uma passadinha pra tirar as teias de aranha desse espaço e pra justificar toda essa ausência… O silêncio desses últimos tempos nao significa que a vida aqui no Brasil esteja menos intensa que no Japão. Muito pelo contrário! Tenho vivido tanta coisa desde que voltei… E tantas coisas lindas, tantas experiências novas! Queria ter contato tudo conforme foi acontecendo, mas ora por falta de tempo, ora por preguiça mesmo, infelizmente não o fiz…

Teve Caravana da Abeuni pra Atibaia no finzinho de Julho e eu finalmente participei! 10 dias alojada numa escola, prestando atendimento à população local e tentando, de alguma forma, melhorar a vida na região. E aprendendo, aprendendo muito! Conhecer e conviver com pessoas novas, pessoas boas, que também estavam lá procurando ajudar; receber um sorriso, um carinho e até uma garrava de refrigerante (!!!) daquela gente simples; ouvir as histórias de vida, tão diferentes, tão díspares… Realmente, tudo isso não tem preço. Era um mundinho perfeito, uma bolha de esperança… Sair de lá e voltar ao mundo real foi meio que um choque mas deixou o gostinho de saber que é possível construir muito com trabalho de formiguinha!

Teve show do Muse! E foi simplesmente perfeito! Três anos de espera que valeram muito a pena! Principalmente com o piano de Butterflies and Hurricanes, que nunca pensei poder ouvir assim, ao vivo!! E toda aquela energia, todo mundo cantando, luz, muita luz! Perfeito!!!

Teve viagem para o sítio com o pessoal da faculdade! E embora tenha ficado só um pouquinho, já valeu bastante a pena! Fogueira, marshmallows e conversas especiais com pessoas queridas!

Teve chá de bebê de uma amiga querida, da época dos Backstreet Boys… Primeiro chá de bebê, primeira amiga grávida… Assustador!

Teve volta à facul e reencontro com o pessoal de lá… Tão triste estar teoricamente no último semestre, muito dificil encontrar os amigos com quem antes passava o dia inteiro, por vezes (muitas vezes) até as madrugadas (projetando! nada de baladas!). Agora é só de vez em quando, rapidinho pelos corredores ou numa carona para o metrô! Mas é bom, muito bom, mesmo assim!

E tem ele, que vem me ensinando tanto! Me fazendo viver e sentir tanta coisa nova e mostrando o quanto é bom amar alguém assim, o quanto é bonito… E enchendo meus dias de felicidade, muita… =)

***

Pelo celular: “R., olha pro céu! Tem um arco-íris em volta do sol!”

=)

***

Birds flying high you know how I feel

Sun in the sky you know how I feel

Reeds drifting on by you know how I feel

It’s a new dawn it’s a new day it’s a new life for me

And I’m feeling good


Fish in the sea you know how I feel

River running free you know how I feel

Blossom in the trees you know how I feel

It’s a new dawn it’s a new day it’s a new life for me

And I’m feeling good


Dragonflies all out in the sun

You know what I mean, don’t you know

Butterflies are all having fun

You know what I mean

Sleep in peace

When the day is done

And this old world is new world and a bold world for me


Stars when you shine you know how I feel

Scent of the pine you know how I feel

Yeah freedom is my life

And you know how I feel

It’s a new dawn it’s a new day it’s a new life for me

And I’m feeling good


Muse . Feeling good

Maio 18, 2008

Do que vou sentir saudades

Levantei ontem um pouco depois das 6h30, ainda dormindo… Dia meio nublado de temperatura agradável. O mukai passou bem cedo, umas 7h15. Muito cansado pela semana desgastante, mas sempre simpático, conversando sobre política japonesa, a crise de alimentos, a previsão do tempo… Os assuntos de sempre no caminho de sempre: passando pelos arroizais, cheios de água nessas últimas semanas, pelas casinhas de telhados coloridos que parecem sempre tão impessoais, pelos combinis e supermercados, todos tão iguais… E depois da curva, o rio com um parque às suas margens, os velhinhos já montando o material de gateball (ou seja lá que jogo eles sempre jogam), as nuvens e as montanhas ao fundo, tão plásticas, parecendo uma pintura… E depois da ponte, o mar, revoltoso, ondas quebrando nos blocos de concreto, mesmo azul acinzentado do céu…

Quando cheguei, a fábrica ainda estava fechada… Só o odisan da pepa (o mesmo dos mochis desse post) já estava lá, como sempre, no seu carrinho compacto. Sentei nos bancos improvisados com latas de tinta e tábuas de madeira, totalmente silenciosos naquela hora da manhã… Os raios de sol que em mim chegavam já anunciavam um dia bom. O odisan dirigiu o carro até perto de onde eu estava, desceu e sentou do meu lado. Me mostrou o joelho, machucado, não entendi porquê… Tinha saído mais cedo no dia anterior e ido no hospital por causa disso. Perguntei se ele estava bem e ele abriu aquele sorriso gostoso, assentiu com a cabeça e voltou para o carro.

Uns 10 minutos depois, o M. chegou e abriu a fábrica. Bati o cartão de ponto, 7h51, coloquei a marmita na geladeira… Aos poucos as pessoas foram chegando, a fábrica foi ganhando vida. O trabalho começou, calmo como todo o sábado. Só que dessa vez, o M. levou o filhinho, tímido, se escondendo toda vez que eu tentava me aproximar com o olhar. Ficou lá um tempinho e depois foi pra casa da esposa do shachô que tem duas meninas… Mais tarde vieram as 3 crianças e ficaram brincando do lado de fora!

Meio-dia, almocei rapidinho, peguei o Llosa e a garrafinha de água no armário, liguei o ipod e fui para praia… Sentei na mesma muretinha de sempre, vendo o mar, os jipes andando pela areia, as pessoas pescando… Abri o livro e mergulhei novamente no mundo cão do Colégio Militar Leôncio Prado, nos conflitos entre os estudantes, nas brincadeiras cruéis, nas diferentes histórias de vida, nos amores adolescentes… Meu momento de paz e viagem durante o dia…

Voltei para fábrica a tempo de umas conversinhas rápidas, de ver alguns sorrisos em rostos cansados, vidas cansadas da busca por dinheiro… Mais um pouco de trabalho, depois as crianças correndo de um lado para o outro, tomando sucos das maquininhas, o pessoal rindo, até o shachô de bom humor, o calor acolhedor do sol, as casinhas, uma azul e outra rosa, do outro lado da rua… Vontade enorme de guardar isso pra sempre, essa sensação de estar “em casa”, de fazer parte daquilo tudo…

O expediente acabou cedo, 5h20. Fazia tempo que não saia esse horário! Não ligaram para o meu mukai e acabei pegando carona com o japonês simpático que sempre tenta conversar, fazendo mímica, dizendo algumas palavras em Inglês, outras em Português! Sempre que pedem pra ele me dar carona, ele sai correndo na minha frente dizendo “Katazuke!!”, porque o carro dele está sempre bagunçado.. Joga tudo para trás e abre a porta, liga o dvd e puxa logo algum assunto… Acho que ele falou que ia estar trânsito porque era dia de jogo do Júbilo. Falei pra ele que estava indo embora e ele perguntou até que dia eu trabalhava, “samishi ne”… Eu disse que não estava valendo a pena em termos de dinheiro e ele concordou. Depois, pra descontrair, me mostrou o restaurante que ia levar a esposa no dia, tentou me dizer que tipo de comida serviam mas não entendi nada!

Cheguei em casa e sai com meu pai para procurar uma bolsa para a câmera que comprei (mais um item dos 101 riscado, só falta aprender a usar!). Pegamos a bicicleta, música no ouvido, voz desafinada assustando os japoneses como sempre! Vento bom embaraçando os cabelos, sensação de liberdade que adoro…

E assim se foi mais um dia… Mais um dos poucos que restam…

Estou ansiosíssima por voltar mas uma parte do meu coração sempre fica presa aqui… Achei que dessa vez seria diferente, que sem amigos por aqui para aproveitar acabaria enjoando fácil, mas ontem percebi que sempre são criados laços e que é sempre doloroso desfazê-los… Mas é a vida, né, algumas portas precisam ser fechadas para que outras se abram. =)

Março 10, 2008

Sonhos…

Arquivado em: família, feelings, vida confusa — Tags:, , , — melodyfairy @ 3:08 am

Hoje uma pessoa querida que está doente há tempos veio se despedir de mim num sonho. Falava como se não houvesse mais jeito, conformado com a situação toda, meio que desistindo. Mas não estava triste… Nem feliz. Parecia aliviado e fazendo o que deveria ser feito: o adeus.

Acordei agoniada, coração na mão, olhos molhados. Conversando com as pessoas próximas, descobri que estava tudo bem ou tudo como costuma estar… Mas a agonia ainda está em mim e eu só precisava estravasa-la. Porque é bem difícil eu me lembrar de sonhos e já houve situações nas quais eles me pareceram sinais. E o medo de que tenha sido a última vez que nos encontramos ainda existe.

É estranho essa dificuldade que temos de lidar com a morte, apesar de ser algo tão natural! Tudo nasce, cresce e morre. Tudo. E é assim que funciona. Mas acho que uma espécie de egoísmo nos faz querer as pessoas sempre por perto, nos impede de pensar na possibilidade de elas partirem. E, entretanto, é uma possibilidade tão forte… basta estar vivo.

Update: pra tentar quebrar um pouco a seriedade do post


You Act Like You Are 22 Years Old


You are a twentysomething at heart. You feel like an adult, and you’re optimistic about life.
You feel excited about what’s to come… love, work, and new experiences.

You’re still figuring out your place in the world and how you want your life to shape up.
The world is full of possibilities, and you can’t wait to explore many of them.

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